A menor folha de pagamento da Série B cobrou o preço e o Londrina E.C. está melancolicamente de volta à 3ª divisão do futebol nacional. Fora de campo a combinação de um orçamento austero com um planejamento inconsistente, pautaram a adoção de uma política "pés no chão" de investimentos no plantel. Dentro das 4 linhas, um desmonte inesperado da equipe reduziu drasticamente a sua já minguada qualidade técnica. Esse encadeamento de fatores desfavoráveis se constituiu na principal causa do rebaixamento. Piorando ainda mais esse cenário constrangedor para o torcedor, assistimos o principal rival regional, o Maringá F.C., tomar o nosso lugar de destaque entre as 40 melhores equipes do futebol nacional e, "de quebra", ostentando o título de campeão da Série C/2026; sem dúvida, um momento doloroso para o torcedor alviceleste.

Muito embora 90% das ações da SAF/LEC esteja em poder da Squadra, os 10% da instituição Londrina E. C. representam uma tradição marcada por uma história esportiva de 70 anos, recheada de conquistas vitoriosas em níveis estadual e nacional; são 5 títulos de campeão paranaense, um honroso quarto lugar no Brasileirão/77, a conquista da primeira Taça de Prata/1980 (Série B) e o título da Primeira Liga do Brasil/2017, triunfos tais que não podem ter seus brilhos ofuscados.

Não obstante às falhas e equívocos ocorridos atualmente, é preciso analisar essa situação desconfortável por um outro prisma e considerar a diversidade de motivos que contribuíram para um deslize dessa envergadura. A mudança na forma de gestão do clube, com a venda da SAF para a Squadra, exigiu negociações demoradas, notadamente porque a rescisão com o gestor anterior foi bastante conturbada, o que implicou em ajustes imprevistos de ordem financeira. Entretanto, formalizados pactos e acordos, a composição do passivo ficou consolidada.

Oficialmente concluída a negociação, a Squadra assumiu os trabalhos em junho/24, com o Tubarão disputando a Série C. Na oportunidade, o Sr. Bellintani, proprietário da nova gestora, prognosticou uma ascensão no prazo de 3 anos; no entanto, já em 2026, a equipe conseguiu ascender a Série B. Contudo, o dirigente não valorizou essa conquista, decidindo trabalhar com um orçamento bastante enxuto, muito aquém das necessidades da disputa. Além disso, contrariando euforia da torcida, manteve um discurso de "antecipação do fracasso", afirmando que um novo rebaixamento não seria o "fim do mundo". As consequências dessas atitudes estão aí expostas e dispensam maiores explicações.

Por outro lado, conta em favor do Sr. Bellintani a disposição em assumir dívidas não previstas nas negociações iniciais para a compra da SAF. Todavia, nesse quesito, já passou da hora de tornar público um esclarecimento oficial sobre a propalada dívida da agremiação, distinguindo as responsabilidades do clube e da SAF, pois valores totalmente desencontrados estão sendo divulgados pela imprensa, o que gera embaraços para o necessário entendimento dos sócios e demais aficionados do Londrina E. C.

Finalizando, entendo que o palpável distanciamento do Sr. Bellintani da torcida e o seu silêncio sepulcral sobre o momento ruim que o Tubarão atravessa, são condições contraproducentes para a imediata recuperação do nosso querido alviceleste.

Ludinei Picelli - administrador de empresa

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