Curitiba Na Comarca de Guaíra, uma das testemunhas chamadas para depor num julgamento apareceu carregando malas. Terminado seu depoimento, o juiz perguntou ao homem se ele iria viajar. ''Ao receber aquele papel do tribunal, pedi prá muié arrumá umas roupa, já que não sabia se ia ter que ficá preso ou não'', respondeu com simplicidade a testemunha. O juiz Roberto Portugal Bacellar coleciona histórias como essa, relatadas por colegas de profissão e que ilustram o quanto o povo teme a Justiça.
''Uma testemunha intimada por oficial de Justiça, mediante um mandado do juiz que determina que ela compareça naquele fórum, sob pena de, se não comparecer, ser conduzida mediante vara, pagará as despesas com condução, dentre outras advertências, tem mesmo que ter medo'', brinca Bacellar.
No começo de sua carreira, o juiz Bacellar julgava um crime ocorrido num motel e ao ouvir as testemunhas repetia a introdução exigida pelo antigo Código de Processo Penal, antes da Constituição de 1988. ''Quero lhe dizer que o senhor está obrigado a responder as perguntas que eu lhe formular, mas o seu silêncio poderá ser interpretado em seu desfavor.'' Foram dezenas de testemunhas que se seguiram caladas, até que no final, já cansado, o juiz dispensou a introdução formal e foi direto ao assunto: muito bem, como foi então que tudo aconteceu? E a testemunha disparou a contar toda a história, nos mínimos detalhes.
Outra história é um caso de agressão em que a vítima era homossexual, mas o juiz insistia em perguntar se o agredido era pederasta. A testemunha disse, meio na dúvida: ''Ah, não era não! Eu vi uma vez ele num fuca véio'', confundindo pederasta com pedestre. (M.K.)

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