''A Justiça é lenta'',''o judicário não anda, é engessado''. Quem nunca disse ou ouviu tais frases? No Paraná, a realidade regida por comentários genéricos está com os dias contados. É o que explica o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Alberto de Paula Machado que, em visita à redação da FOLHA, adiantou detalhes do projeto. ''É um verdadeiro raio-x do Poder Judiciário, em que advogados dão notas de 0 a 5, e os problemas são apresentados''. A intenção é que o projeto se expanda pelo país afora.

Em que consiste o projeto?
Trata-se de um projeto que visa, de alguma maneira, contribuir para o aprimoramento do Poder Judiciário. A OAB, até por força de disposição legal, tem que, entre suas obrigações, tentar contribuir para o aprimoramento do Judiciário. Nós queremos mudar um pouco o foco de discussão em relação aos problemas da Justiça. No passado, as críticas eram genéricas e diziam respeito ao funcionamento, à morosidade, mas pouco contribuíam porque, na hora de você partir para as ações práticas, faltava o ponto de identificação de cada um desses problemas.

Seria um raio-x do Poder Judiciário? E quem faria essa avaliação? Os próprios juízes? O povo?
Exatamente, seria um raio-x do Judiciário. Os juízes não seriam as pessoas mais adequadas, pois integram o Poder. O povo teria poucos elementos para analisar, pois vai uma vez à Justiça na vida, quando vai. Os advogados, que frequentam diariamente os foruns, são as pessoas adequadas, sabendo onde são bem atendidos, onde os processos andam bem, onde não andam, onde tem juíz, onde não tem. Enfim, são as pessoas habilitadas para fazer esse diagnóstico, a partir da avaliação individual.

O povo, dessa vez, seria representado na figura dos advogados?
Sim, pois partimos do pressuposto de que o serviço público tem que servir ao povo, ou seja, o povo tem condição de avaliar o serviço público para saber se ele está com qualidade ou não e apontar às autoridades responsáveis quais são as alternativas.

Após essa análise, qual seria o passo adiante?
Nós vamos tabular todas as respostas e separá-las. A Justiça Federal tem uma administração própria, estamos vinculados ao Tribunal que é sediado em Porto Alegre (RS). Faremos lá uma reunião com o presidente do Tribunal, levando todas as respostas dos principais problemas, vendo quais são as alternativas e soluções, e apontando um prazo para que sejam implementadas. Em relação à Justiça do Trabalho, que se organiza no Estado do Paraná, por meio do TRT da 9 Região, e à Justiça Estadual, o procedimento será o mesmo. E mais ainda: temos hoje, no Brasil, um orgão importantíssimo que é o Conselho Nacional de Justiça. Toda a Justiça brasileira está vinculada ao Conselho, que pode, também, tomar medidas em relação aos problemas mais caóticos da Justiça e é salutar que assim o faça.

Quais as expectativas?
De que esse projeto que nasce no Paraná se expanda pelo Brasil todo. A expectativa e intenção, aliás. Outra expectativa é de que tal iniciativa entre no calendário ordinário da OAB, ou seja, anualmente vamos fazer isso. É interessante porque aí saberemos o que avançou e o que não avançou. Se fizéssemos uma única vez, não ia adiantar nada. Com a periodicidade, poderemos elaborar um cronograma de atividades e cobrar respostas. Nunca se fez nada disso. As avaliações que temos hoje vêm de dentro do gabinete. Isso é muito pouco. Ninguém faz um programa de qualidade se não houver um sistema em que se ouça o consumidor. O bom prestador de serviços tem que ouvir o consumidor. E é isso que vamos fazer.

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