Jovens talentos são disputados pelo mercado
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domingo, 22 de julho de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Prestes a encerrar o ciclo universitário, o estudante dá de cara com o mercado de trabalho e um velho dilema. Se sobra vontade para encarar o primeiro emprego, falta experiência. Imagine arrumar um emprego e ainda ter a possibilidade de ser treinado pela empresa, fazer cursos no exterior e receber incentivos para crescer dentro da instituição. Estas vantagens fazem parte dos programas de trainee, cada vez mais usados pelas grandes companhias para recrutar funcionários.
Se são muitos os benefícios, maior ainda é a concorrência. Em alguns processos, como o da empresa de cosméticos Natura, mais de 32 mil candidatos brigaram por 40 vagas. A disputa é quase 15 vezes mais acirrada se comparada ao vestibular para o curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Enquanto no processo seletivo de 2007 foram 55 candidatos por vaga na universidade, a concorrência no último trainee da empresa foi de 800 candidatos por vaga.
Tanta concorrência transforma candidatos selecionados em profissionais privilegiados. É o caso do engenheiro de produção Jorge Luiz Goessler, que trabalha há um ano e meio na Klabin, maior produtora e exportadora de papéis do país. Até chegar à empresa e ao cargo desejados, ele passou por cerca de dez processos de seleção. Além da Klabin, foi aprovado na Votorantin, ''bateu na trave'' na Eternit e na Vivo e chegou a abandonar o processo de uma empresa na reta final por considerar baixo o salário inicial de R$ 2 mil.
A cada seleção que participava, as tarefas ficavam mais fáceis para o engenheiro, pois eram muito semelhantes às de processos anteriores. ''As empresas contratadas para fazer a seleção usam basicamente a mesma fórmula. Aí você vai sabendo como funciona e fica mais tranquilo, mais preparado. Tanto que aconteceu comigo, durante um teste, de olhar para a pergunta e pensar: 'Já respondi isso antes''', conta Goessler, que também passou por situações inusitadas durante as dinâmicas de grupo. ''Tive que fazer umas coisas meio absurdas, como construir ponte, avião, e até uma catapulta para lançar sapos''.
O engenheiro incentiva os recém-formados a se inscreverem nas seleções, já que, ''na pior das hipóteses, o candidato vai aprender com o processo''. Segundo ele, nas primeiras participações em trainees é comum o candidato se sentir inferior aos concorrentes, principalmente na etapa de apresentação pessoal. ''Muitos se apresentam falando que tem mestrado, cursos do exterior, falam não sei quantas línguas. Eram currículos muito melhores que o meu, mas foram reprovados. Não é currículo que conta, mas sim o perfil da pessoa estar de acordo com o que a empresa procura''.
Na avaliação de Goessler, o processo de trainee é a melhor maneira de um recém-formado iniciar a carreira, principalmente pela vontade que a empresa tem de investir no profissional. ''Tem planos para subir de cargo a médio e longo prazo, além de moldar o funcionário nos parâmetros da empresa. Fazem um rodízio de áreas para que você conheça todos os setores e tenha uma visão estratégica da empresa quando se tornar um gerente, um líder'', afirma.
A administradora de empresas Renata Segretti compartilha da opinião do engenheiro. Ela inscreveu o currículo em um site especializado em trainees e foi aprovada no primeiro e único processo que participou, ficando dois anos como consultora na Ernst&Young.
''Vale muito a pena. São empresas multinacionais que te motivam a crescer, sair do país, estudar fora. É muito importante porque elas pegam profissionais sem experiência para moldar de acordo com as necessidades. É uma excelente oportunidade para quem está saindo da faculdade'', garante Renata.


