Nos últimos tempos, adolescentes usuários de droga tomaram conta do noticiário local, estadual e nacional. O tratamento dispensado à questão é mais policial e menos social. No entanto, devemos refletir a situação do adolescente num contexto maior. No contexto de uma sociedade moralmente falida, de uma escola educacionalmente incompetente e de uma família organicamente desestruturada.

Mais que causa, o comportamento do adolescente, hoje, é uma consequência da falência social a que assistimos impassíveis em que não há valores morais claros que permeiem as relações pessoais. A globalização, que banalizou tudo e todos, dita as regras a um indivíduo cada vez mais individualista e preocupado somente com o próprio bem-estar.

Esta situação é contornada por um sistema de comunicação promíscuo e arrogante, em que a mídia cria necessidades desnecessárias: o tênis de marca, a calça de grife, o último lançamento. Excluídos do processo de aquisição desses bens, o adolescente (e também o adulto) frustrado e sem perspectivas se associa ao tráfico que gera a violência. No fundo, pensa satisfazer uma necessidade humana, mas que não passa de uma necessidade publicitária.

Recentemente, jornais da cidade estamparam fotos de adolescentes posando com armas, ostentando um poder inabalável. Cenas chocantes, sem dúvida, mas não menos intrigantes que as dos filmes, seriados e novelas que entram, diariamente, em nossas casas. Os veículos de comunicação mostram a realidade porque ela existe? Ou a realidade existe porque é construída pelos veículos de comunicação?

É necessário controlar a programação televisa e se acham que isto é censura, então que os programas mundo-cão sejam censurados. Não basta o argumento controle remoto, em que cada um seleciona o que vê. Se há controle externo ao Executivo, Legislativo (e ainda que frágil) ao Judiciário, por que não controlar o poder da comunicação?

Na escola, a situação não é diferente. E olhe que é costume categorizar esse espaço como de educação. Mas como educar se a escola não respeita as diferenças? Como educar se a escola (em qualquer nível de instrução) não forma mais gente e sim profissionais? Como educar se a escola dá conta apenas de sistematizar o conhecimento formal?

Na busca pela sobrevivência financeira, escolas particulares e públicas dão um enfoque de mercado cuja principal meta é o vestibular. Diga-se: não há vagas para todos. E o estudante virou cidadão? Sabe-se lá, pelo menos a foto dele está garantida nos anúncios para atrair novos alunos. É pertinente, então, que a escola - enquanto estabelecimento de ensino - ensine para a vida e não somente para o mercado.

Ainda que desestruturada, a família é o ponto de equilíbrio (ou desequilíbrio) para o sucesso (ou fracasso) na formação do caráter de seus jovens. Pais e mães devem assumir o seu papel. E antes de serem amigos de seus filhos, devem ser pais e mães. Essa responsabilidade não deve ser repassada para a escola, igreja, ministério público, poder público ou qualquer outra instituição. Educar pressupõe diálogo, mas acima de tudo orientação e limites.

Que a atual célula familiar foi modificada, ninguém duvida. Pais no papel de mães e estas no papel de pais. Mas esse não é o problema. O obstáculo reside, necessariamente, no fato de pais e mães estarem sem papel. É necessário, portanto, definir a atuação de cada um na família, assumir essa condição e lutar, incessantemente, pela formação de bom caráter dos nossos filhos. Isso dá trabalho. Porém, se não o fizermos, nossos jovens serão o futuro do quê mesmo?

REINALDO ZANARDI é jornalista e membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Londrina

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