A era do consumo, da vaidade e da falta de planejamento continua fazendo suas vítimas. Pesquisa divulgada pela TeleCheque indica que jovens com até 20 anos lideram o ranking da inadimplência com cheques no País. É a faixa etária com maior índice (16,92%), seguido por pessoas com idade entre 21 e 30 anos (6,33%). No universo dos consumidores com mais de 31 anos, o índice de endividamento não chega a 10%. A pesquisa refere-se ao volume total de cheques consultados e não compensados para cada faixa de idade, no primeiro semestre do ano.
A utilização dos cheques não reflete mais a realidade do varejo, mas a pesquisa indica os hábitos de consumo dos brasileiros. Os números são alarmantes. Conclusão da própria pesquisa aponta que o resultado é a falta de organização das pessoas, que não têm conseguido administrar corretamente seus recursos. É a simples falta de educação financeira, incentivada maciçamente pelo consumismo e que pode trazer reflexos à vida adulta. A restrição de crédito para aquisição de bens e serviços pode criar dificuldades para obtenção de um emprego, por exemplo.
Em algumas escolas, o assunto já virou matéria de sala de aula, mas ainda não é uma obrigação da grade curricular. Talvez seja preciso uma reflexão a respeito. As crianças não estão sendo educadas para lidar com o dinheiro. O consumo é excessivo e, em muitos casos, incentivado pelos próprios pais. A inclusão da mulher no mercado de trabalho acabou por transferir às escolas a responsabilidade pela educação das crianças, o que não é correto. No entanto, apesar de sabido - mas pouco praticado atualmente - educar deve continuar sendo tarefa dos pais.
Além da ''terceirização'' da educação, os pequenos são expostos aos informes publicitários direcionados especialmente a eles desde muito cedo. A cultura moderna privilegia o ter, em detrimento do ser. No entanto, com tantas falhas expostas, a educação tem que ser repensada. Limites - inclusive financeiros - devem ser impostos desde cedo.

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