Jovens fora da escola
Não é novidade que o Brasil luta para oferecer uma educação básica de qualidade na rede pública. E os avanços nesse sentido são tímidos e pontuais, principalmente quando se leva em consideração números pessimistas, como os divulgados nesta quarta-feira (31) pelo MEC (Ministério da Educação). O Censo da Educação Básica de 2017, apresentado pelo governo federal, revelou que as matrículas do ensino médio apresentaram queda no ano passado, mesmo levando em consideração que teremos cerca de 1,5 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola. Essa etapa é considerada um dos principais gargalos da educação básica.
Segundo o censo, o País tem 48,6 milhões de alunos, matriculados em 184,1 mil escolas, da educação infantil ao ensino médio. Mais de 80% das escolas são públicas. Um dado interessante é que de uma maneira geral, o total de matrículas vem caindo ao longo dos anos, devido a dois aspectos. O primeiro é a melhora no fluxo escolar, com taxas mais positivas de aprovação. O segundo aspecto é o envelhecimento da sociedade, com a redução no número de crianças no Brasil.
Voltando ao ensino médio, no ano passado, as escolas brasileiras tinham 7,9 milhões de pessoas matriculadas nessa etapa final da educação básica, 2,5% a menos que em 2016. Isso significa que o sistema educacional não está conseguindo trazer para a sala de aula um número grande de jovens. Os dados do MEC indicam que 1,5 milhão de jovens abandonaram as salas de aula. Dificuldades financeiras, ingresso ao mercado de trabalho, violência, dependência química e gravidez precoce são algumas das justificativas. Infelizmente, a evasão escolar é comum no Brasil e não há uma razão apenas. Um problema complexo que tem relação com a realidade econômica, as condições sociais da família e até o desinteresse pelo conteúdo. A solução é igualmente complexa e envolve ações transformadoras por parte do poder público e da sociedade.





