Jovens e violência
Apesar dos importantes avanços sociais registrados no País nos últimos anos, jovens negros continuam sendo o grupo mais vulnerável à violência. Eles têm, em média, até 2,5 vezes mais risco de serem assassinados do que os brancos. Os dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que em 2012 (dados mais recentes disponíveis) 29.916 jovens foram assassinados. Desse total, 22.884 eram negros.
O dado criado pelo Fórum, denominado índice de vulnerabilidade juvenil violência e desigualdade racial, considera cinco itens: taxa de mortalidade por homicídios, por acidentes de trânsito, frequência à escola e situação de emprego, pobreza e desigualdade. Os números se referem a jovens entre 12 e 29 anos.
Comparativamente ao restante do País, o Paraná apresenta o menor risco relativo de um jovem negro ser morto em relação a um jovem branco. Enquanto a média nacional é de 2,5 vezes, a estadual fica em 0,7. É um dado paradoxal porque o Estado, inclusive, tem a maior taxa de assassinato de jovens brancos do País. São mortos 71,2 jovens brancos por grupos de 100 mil habitantes contra 41,7 jovens brancos. A Paraíba apresenta o pior resultado para os negros: 13,4 vezes.
Homicídios de jovens devem ser combatidos exaustivamente porque apontam para um quadro de deterioração social em que o Estado e a própria sociedade não têm conseguido proteger esse grupo da população. Embora os motivos que levaram esses jovens à morte não tenham sido divulgados, pode-se afirmar que se houvesse mais oportunidades, como uma educação de qualidade e ofertas de trabalho, talvez os números apurados fossem diferentes.
Também indicam claramente a urgente necessidade de implantação de políticas públicas direcionadas aos jovens. Eles não podem continuar expostos à violência, inclusive "pagando com a vida". O Estado tem que garantir uma vida digna a essas pessoas.





