Jovens e violência
O Mapa da Violência 2014, divulgado nesta semana, aponta para uma notícia nada positiva. O Brasil continua perdendo seus jovens para a criminalidade. Nos últimos dez anos (período entre 2002 e 2012) a taxa de homicídios teve um incremento de 13,4%, semelhante ao aumento populacional da década, que foi de 11,1%. Traduzindo em números, o índice mostra que 56 mil pessoas morreram assassinadas no período, o que representa 154 vítimas por dia.
As estatísticas mostram ainda que nos anos extremos da década as taxas são semelhantes. No entanto, há diferenças entre quinquênios. De 2002 a 2007 os índices caem; no entanto, de 2007 a 2012, há novamente uma tendência de alta nos números. A diferença é que se no primeiro período a violência estava concentrada nas capitais, a partir de 2007 observa-se o crescimento da criminalidade em todo País. O mais grave é que entre 2011 e 2012, a taxa de homicídios cresceu 8,5%.
Outro dado bastante preocupante é que a partir dos 13 anos, o número de vítimas de homicídio cresce rapidamente até atingir o pico de 2.473 na idade de 20 anos. A partir desse ponto, a taxa começa a cair de forma gradativa. Se os jovens estão entre a maioria das vítimas de homicídio, pode-se concluir que há envolvimento com a criminalidade, seja o tráfico de drogas ou outras ações criminosas como roubos e furtos, assaltos à mão armada, entre outros. Não se pode negar que políticas públicas não estão sendo efetivas, ao menos a esse nicho da população.
Além de reforçar a segurança pública no interior, que conta com efetivo policial bastante reduzido, é preciso concentrar esforços em projetos e ações que mantenham crianças e jovens longe do mundo do crime. Ensino integral, mas de qualidade, atividades de contraturno e cursos técnicos e profissionalizantes são um dos caminhos a serem seguidos. Somente a educação é que proporcionará resultados efetivos a longo prazo. O País não pode continuar a perder seus jovens para o crime.





