Jovens e controle de administração e costumes
Se os grandes movimentos políticos estudantis deixaram as ruas e não têm o ímpeto do passado, debates sobre questões de relevância mostram a preocupação dos jovens conscientes de que o Brasil melhor ou pior terá a ver com a vida deles, especialmente depois de sua maioridade. Em Maringá, conforme reportagem de ontem deste Jornal, a juventude deu uma lição de cidadania, com a participação de 18 mil estudantes num concurso de redação abordando a importância do controle social sobre a administração pública. Por trás disso estão instituições civis denominadas Sociedade Eticamente Responsável e Observatório Social de Maringá.
Suas atuações se operam também na prática, com fiscalização prévia de licitações da Prefeitura e da Câmara de Vereadores. Isto, segundo os coordenadores, elimina vícios legais quando prejuízos ainda não foram causados. Prevenir corrupção é melhor que remediar. Este é um dos lemas desse movimento de cidadania. Importante é o despertamento sobre a responsabilidade de sua participação na vida comunitária. Hoje o Brasil vive situação de desencanto com a gestão pública em todas as esferas e, em véspera de eleições, um fato pouco entusiasmador para a causa da moralidade foi a decisão do Supremo Tribunal Federal validando os candidatos com ficha suja, só não contemplando os que têm condenação irrecorrível. De qualquer modo, o levantamento da questão despertou o eleitorado - e como a lista desses envolvidos em denúncias está divulgada na internet (site: www.bonde.com.br) - agora a decisão é do povo.
Em Londrina, a ''lei do bafômetro'' também recebe atenção de estudantes, envolvendo cerca de 600 alunos do 1º e 2º anos do ensino médio do Colégio Maxi, conforme mostrou ontem a FOLHA Cidadania. Sob o lema ''Álcool e direção veicular jamais trilharão o mesmo caminho'', essa ação de alunos e professores visa conscientizar os estudantes sobre os malefícios dessa combinação perigosa. A verdade alentadora é que o endurecimento recente dessa lei diminuiu o número de acidentes e mortes no trânsito, em todas as cidades e estradas do Brasil, também baixando substancialmente o custo social. Um curioso dado, citado en passant, é que até a Copel reduziu seu gasto com recolocação de postes derrubados por choque de veículos.
E, por outro lado, é bom constatar-se que o rigor da norma já está mobilizando as indústrias cervejeiras a produzirem e divulgarem mais intensamente a cerveja sem álcool. E enquanto tudo isso ocorre, leu-se ontem neste Jornal que o Governo e o Ministério Público vão sugerir aos municípios que exijam o fechamento de bares mais cedo, para diminuir o tempo de bebedeira e a poluição sonora. Bons sinais!





