Acidentes de trânsito acontecem inúmeras vezes por dia nas grandes cidades brasileiras. Felizmente, a maioria é sem gravidade e para os envolvidos ficam os prejuízos materiais e o incômodo de resolver as questões burocráticas. Mas entre as ocorrências há os registros graves, com feridos e vítimas fatais. No Brasil, as mortes no trânsito são uma espécie de "epidemia" - 20 mortes por 100 mil habitantes, enquanto em países desenvolvidos a média cai para oito.
O último domingo foi o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito. Em 2013, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), 40,5 mil pessoas perderam a vida por conta da violência no trânsito. O número foi menor do que em 2012, quando 44,8 mil brasileiros morreram nas ruas e estradas. A redução, de cerca de 10%, é uma notícia importante, principalmente porque é a maior queda desde 1998, quando as mortes diminuíram 13%.
Reportagem publicada na edição de ontem da FOLHA mostra que os acidentes de transporte mataram menos pessoas no Paraná no primeiro semestre de 2014 na comparação com o mesmo período do ano passado. Levando em consideração as estatísticas recolhidas pelo jornal no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), entre janeiro e junho 1.490 pessoas morreram em ocorrências do tipo no Paraná. No primeiro semestre de 2013, haviam sido 1.515 óbitos. A redução foi de 1,65%.
Mas ao se debruçar sobre essa estatística, um recorte se revela preocupante. Se a média geral caiu, o mesmo não aconteceu entre a população de 15 a 29 anos. Nessa faixa-etária, o contingente de vítimas fatais em acidentes de transporte passou de 471 para 482, ou seja, uma alta de 2,34%. As mortes em acidentes de transporte no SIM dizem respeito a óbitos em ocorrências envolvendo veículos terrestres, aquaviários e aéreos. Mas os acidentes de transporte terrestres responderam por 99,6% das mortes registradas.
A vitimização maior de jovens em acidentes de transporte é um fenômeno nacional. O excesso de velocidade e o uso de bebidas alcoolicas aliadas à direção certamente são fatores agravantes. Mas as autoridade que respondem por saúde e segurança precisam pesquisar por que não houve redução também entre os jovens. Entendendo as razões, será possível desenvolver ações de prevenção mais eficientes voltadas para essa faixa-etária.

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