Jovens criam 'clãs' para jogar
Quem frequenta as Lan houses gosta da diversão, do clima de disputa e faz amigos através dos jogos de rede. É o que diz a garotada que, de manhã, a tarde ou a noite cumpre seu ''expediente'' nas bases de jogos em rede. Já estão sendo formadas inclusive algumas equipes de competição. Os grupos começam a viajar e jogar contra outros do Estado e até de São Paulo, especialmente o Counter Strike (CS).
Leandro Vaz de Lima, 16 anos, costuma frequentar a Arena Digital quatro vezes por semana. São mais ou menos duas horas no computador, jogando o CS. A habilidade deu-lhe uma vaga no time júnior da Arena. ''Também jogo em casa, pela Internet'', diz o estudante. Junto aos colegas, Leandro é conhecido como ''anjo rebelde''. É o seu nick, uma espécie de apelido digital utilizado por quem participa das disputas Intranet e na Internet.
Assim como Leandro, Ricardo Caporalli Campos, o ''satan'', 17, não dispensa o boné, peça do uniforme básico da garotada, nem mesmo dentro do escuro salão dos computadores. Ele diz que joga quase todos os dias. Ricardo é integrante do X3M, o time principal da Arena. Em casa, a assiduidade na Lan House não tem sido problema. ''O meu pai não gostava muito, mas ficou contente quando eu disse que estava entre os melhores no time'', afirma.
Leonardo Ramos Pinto, 21, o ''Lurth Medivh'', está entre os veteranos jogadores do CS em Londrina e frequenta pouco as Lan Houses. É um dos pioneiros dos jogos em rede na cidade. Há sete anos joga pela Internet. Integrava o time Alvo Móvel, formado há cerca de uma ano e meio. O clã, como também são chamados os grupos, tinha como quartel-general o Café Digital, cyber café pioneiro em disponibilizar os programas na cidade.
''Já cheguei a jogar pelo menos seis horas por dia, no período em que estava sem aulas, mas hoje jogo de duas a três'', diz Leonardo. Nas Lan houses, aparece umas duas vezes por semana. Principalmente para rever amigos e campanheiros de jogos em rede, como o Quake 1 e o CS. ''Fiz algumas das minhas melhores amizades por causa dos jogos'', comenta.
A portaria 004 de 2002, expedida pela Vara da Infância e Juventude da Comarca de Londrina no último dia 11, proíbe o ingresso e participação de crianças e de adolescentes até 15 anos de idade em casas de diversões eletrônicas como vídeo games e fliperamas sem a presença de pai, mãe ou responsável legal. Já nos cyber cafés e nas Lan houses, o medo é relativo ao acesso a materiais de extrema violência, pornografia e pedofilia disponibilizados pela Internet. Menores até 16 anos só poderão utilizar os locais com autorização por escrito dos pais, com firma reconhecida, válida por três meses.
A medida foi tomada face às reclamações que chegaram à Justiça e ao comissariado de menores, alertando sobre a frequência de crianças nas casas de diversões eletrônicas em geral. Segundo o despacho, ''crianças e adolescentes chegam a vender ou trocar passes escolares para usarem os valores gastando-os nos referidos estabelecimentos''.





