Jovens cientistas
Na semana passada visitei a Feira de Ciências do Colégio Marista de Londrina e pude observar a dedicação das crianças da 4ª série em relação a iniciação científica. Os grupos de trabalho mostravam a beleza singular do corpo humano e as diversas partes que o compõem, bem como as funções específicas de cada um de seus sistemas. Passeei interessado por todas as bancas ouvindo atentamente o que cada criança expunha e lamentei que o evento durasse apenas algumas horas, pois ficou um gostinho de quero mais.
É preciso que desde cedo as crianças sejam incentivadas a participar de eventos desta natureza como forma de fazer aflorar sua vocação científica, valorizar a criatividade, e permitir a socialização do conhecimento entre os estudantes, professores e orientadores, além de incrementar a inovação científica e tecnológica.
A inventividade, o interesse pela explicação racional do homem e da natureza, a maior liberdade religiosa, o crescimento econômico, as transformações da sociedade e muitos outros fatores influem para que surja um ambiente favorável ao crescimento regular e ordenado do conhecimento científico que propicia ao Brasil maior envolvimento com a realidade cientifica mundial. A pesquisa é o único agente de alavancagem do desenvolvimento tecnológico de que tanto carecemos e não devemos deixar que essas vocações preciosas sejam descobertas somente nos cursos de pós-graduação, mas desde o berço como está fazendo esse colégio.
O estabelecimento de uma base científica sólida requer uma visão de longo prazo na formação de recursos humanos altamente qualificados e treinados. Por sua vez, a demanda pelas atividades dessa base pelos diversos setores da sociedade só é conseguida, em caráter permanente, se a população em geral estiver familiarizada com os conceitos básicos, os métodos e os avanços da pesquisa científica. Em outras palavras, exige a existência de uma cultura e tradição difundidas por toda a sociedade.
Hoje, mais do que nunca, a ciência e a tecnologia são consideradas como componentes essenciais para o desenvolvimento integral do homem, das sociedades e dos países. Devemos considerar que a característica de continuidade deve pautar essa iniciativa dada aos jovens cientistas, pois sabe-se que o processo de crescimento do conhecimento científico é cumulativo e existem previsões de que nesse século que se inicia no próximo mês o saber humano deve dobrar a cada período de três anos. Isto significa que se algum indivíduo não acompanhar a evolução do saber em seu campo de atividade profissional, em curto período de tempo ele só conhecerá a metade daquilo que deveria conhecer para estar atualizado. Com essa velocidade de acúmulo de saber, qualquer descontinuidade no processo certamente exigirá esforços muito elevados para sua retomada.
Em 1981, a Fundação Roberto Marinho criou o Prêmio Jovem Cientista, que é considerado pela comunidade científica como o mais importante do gênero na América Latina, seu objetivo principal é buscar soluções simples para os problemas encontrados no cotidiano da sociedade. A entrega do Prêmio Jovem Cientista é feita pelo presidente da República e reúne na cerimônia autoridades governamentais da área da ciência e tecnologia, além dos mais respeitados nomes da ciência brasileira. Em um de seus discursos, o presidente Fernando Henrique Cardoso ressaltou a importância do evento: Este prêmio é um incentivo para que outros prêmios se juntem e para que nós possamos redescobrir a cara boa do Brasil.
Quem sabe dentre aquelas crianças do Colégio Marista, as quais ouvi com atenção e terminei incentivando, não estará um descobridor de uma nova tecnologia que proporcionará a cura de algum dos muitos males que assolam a humanidade? Quem sabe ainda, não estará dentre aqueles pequeninos interessados em ciência o desenvolvimento de um novo chip de computador? Parabéns a todos os jovens cientistas e ao colégio pela iniciativa.
- RICARDO PROCHET é administrador, professor universitário e consultor de empresas em Londrina
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