A violência no Brasil já parece fora de controle, e na linha de frente da criminalidade encontra-se uma numerosa presença de jovens, boa parte adolescentes, que desfrutam do privilégio da idade e agem com grande impetuosidade. Assim é nas grandes cidades e também nas de menor porte. Esses jovens estão assaltando, matando e morrendo. Eles pertencem à camada mais pobre da população e agem em defesa de seus interesses diretos, que têm a ver com acerto de contas no tráfico de drogas e com a luta pela sobrevivência. Para isso utilizam de todos os expedientes, inclusive o uso de armas, e não apenas como intimidação, mas para matar. Os menores estão protegidos pela lei da impunidade, embora recolhidos a instituições tidas como de recuperação, e eles sabem disso e se valem da prerrogativa. Mas por trás dessas 'formiguinhas' que distribuem drogas e, nesse círculo, matam e morrem estão fortes corporações, comandadas por adultos e que extrapolam as fronteiras nacionais. Este é o ponto a combater, e a Polícia sabe por onde começar. Ou se ficará apenas fazendo a soma estatística das mortes. O tráfico de drogas é o mais desastroso dos males que hoje tangem a humanidade e que ganhou amplitude a partir da segunda metade do século passado, marcadamente após a revolução de costumes que irrompeu em 1968 e foi ganhando amplitude, até converter-se em padrão universal, que a sociedade absorveu ou ao menos não contrariou, porque a onda de mudanças foi avassaladora e incontrolável. No caso dos assaltos e roubos perpetrados pelos jovens, o que ocorre não é um desregramento da juventude em geral, porque atinge apenas a categoria dos pobres e miseráveis que habitam bairros populares mais baixos e as favelas. No Rio de Janeiro, adolescentes atacam turistas, e essa corrente depreciativa do Brasil corre o mundo e afasta os visitantes. As belezas deste grande país tornam-se impotentes, como atração, diante de imagens como as que se tem visto na televisão, as dos arrastões nas praias cariocas e que mais parecem manadas de feras em perseguição à caça. Um espetáculo de triste figura, que remonta à origem dos males sociais brasileiros, que ganharam proporções alarmantes e parecendo fora de controle. No atual governo, que chegou acenando com grandes mudanças e semeando esperanças, as coisas pioraram, sem vislumbre de alguma melhoria a curto prazo. No caso de Londrina, a situação é igualmente alarmante, e só no último domingo mais três jovens foram mortos, nas mesmas circunstâncias das dezenas de casos acontecidos este ano: rapazes pobres e envolvidos com os mininegócios de drogas os acertos de contas ao menos segundo os indicativos da polícia. Matar por pouco o que para eles deve significar tudo já é coisa corriqueira na crônica policial londrinense. A incapacidade governamental de criar mecanismos de desenvolvimento econômico capazes de gerar empregos, conduz ao favorecimento para o comércio das drogas e aos atentados contra o patrimônio alheio, com todos os males daí decorrentes. O custo social de administrar o combate à delinquência e manter presídios e presos é muito mais elevado do que as exigências para solução dos problemas, de forma humana e salvadora. Mas falta ainda a suficiente conscientização para isso.

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