Jovem vive bem em cidades menores
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domingo, 15 de dezembro de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba A situação do adolescente no Paraná é melhor nos pequenos municípios do que nos grandes centros. De acordo com levantamento feito pelo Unicef, o fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência, as cidades com as menores taxas de analfabetismo na faixa de 12 a 17 anos no Estado têm em média 7,9 mil habitantes. Essas regiões também têm bons índices de consulta pré-natal a adolescentes grávidas e quase nenhuma morte por motivo externo (acidente, homicídio).
A média estadual de analfabetismo na adolescência foi de 1,5% em 2000, e a nacional, 5,2%. Santa Catarina registrou 1,5% também e o Rio Grande do Sul, 1,4%. Os dez municípios mais bem colocados têm taxas de 0,3% a 0,6%. De acordo com o oficial de projetos do Unicef, Mário Volpi, esse índice depende quase que exclusivamente do poder público municipal. Cada prefeito tem que destinar 28% do orçamento no ensino fundamental. ''Se há oferta de creche, pré-escola e ensino fundamental, quando o adolescente chegar ao ensino médio estará muito bem'', afirmou.
Volpi disse que os melhores níveis de desenvolvimento na adolescência são observados nas cidades que já possuíam bons índices de desenvolvimento infantil. ''Se uma pessoa chega à adolescência sem compreender um texto, é porque houve negligência do poder público enquanto ela ainda era criança'', observou.
Mas o assessor da Pastoral da Juventude em Curitiba, Waldemar Simão Junior, disse que mudanças nos programas educacionais também podem aumentar o nível de analfabetismo. ''O analfabetismo ocorre mesmo dentro da escola. Com o sistema de ciclos, é muito comum encontrar crianças da 4ou 5 série que não conseguem compreender um texto'', ressaltou. Para ele, a proposta de ciclos, que excluiu a repetência, é muito boa, mas deveria ser revista pelo governo estadual e municipal.
Os dez municípios mais bem colocados no Paraná são: São Tomé, Nova Santa Rosa, Miraselva, Entre Rios d'Oeste, Palotina, Céu Azul, Cruz Maltina, Floraí, Santa Lúcia e Enéas Marques. Os três primeiros estão entre os 50 melhores do Brasil, em 31º, 42º e 43º, respectivamente. Na avaliação de Volpi, as redes de proteção social são mais intensas nas cidades pequenas, contribuindo para o melhor desenvolvimento do adolescente.
Para Simão Junior, o adolescente das cidades pequenas está mais protegido da violência e das drogas e as políticas sociais são mais fáceis de implementar em locais com menos habitantes. ''O município pequeno consegue trabalhar com dados concretos, e as oportunidades são mais igualitárias'', comentou.


