O apoio dos pais ao jovem pode ser prejudicial? Depende da dose. Esta é a conclusão ao que se chega após leitura da entrevista concedida pelo subtenente Carlos Alberto de Oliveira, comandante do Tiro de Guerra de Londrina, publicada na edição de ontem deste jornal. Responsável pelo treinamento de jovens atiradores, ele conhece bem realidades diferentes, tanto de grandes centros urbanos como Londrina quanto de localidades mais isoladas, como Boa Vista, capital de Roraima.
Segundo ele, há grandes diferenças entre os adolescentes das duas cidades. Em Roraima, a maioria assume desde cedo a responsabilidade de ser chefe de família, mas há poucas oportunidades de acesso à educação. Por outro lado, o jovem londrinense, a exemplo dos de outros de centros urbanos maiores, são mais instruídos, mais ''antenados'', nas palavras do próprio subtenente. E conta com maior apoio familiar no desenvolvimento de suas atividades.
E é aí, na opinião de Carlos Alberto de Oliveira, que mora o perigo. Os cuidados com o jovem podem ser benéficos por garantir que ele se torne mais ''seguro'' no desenvolvimento de suas atividades, como o estudo e o trabalho. No entanto, o zelo excessivo pode tornar-se um ''tiro no pé'' se incentivar a dependência dos jovens em relação aos familiares.
''Percebo que o jovem londrinense está inserido na família, mas não é o responsável por ela. E toda a família foca os olhares nele. É uma proteção que pode causar danos por não permitir que o jovem sinta o peso da responsabilidade por si mesmo.'' Essa é a avaliação do militar, que acredita que a adolescência é o momento em que a pessoa já deve estar preocupada em seguir seu próprio caminho.
A palavra chave, portanto, é equilíbrio. Da mesma forma que não é recomendável abandonar o jovem à própria sorte, num momento em que a orientação dos mais experientes é imprescindível, também não é certo superproteger o filho. Só assim nossos jovens poderão transformar-se em adultos maduros.
E o serviço militar é um caminho indicado pelo subtenente para transformar jovens em adultos responsáveis. Isso por conta da participação constante dos atiradores em projetos sociais e devido à valorização do respeito à hierarquia dentro da instituição. Desta forma, acredita Oliveira, é atingido o objetivo de formar cidadãos conscientes. E assim teremos uma juventude cada vez mais preparada para enfrentar os desafios do futuro da melhor forma possível.''

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