Jornalista e universidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003
Ana Cristina Pereira 
Hoje, mais do que em qualquer tempo, o mundo gira em torno de tudo que a comunicação oferece na busca de informação e conhecimento. Jornalistas, mais do que nunca, respondem por uma enorme responsabilidade: a informação exata, verdadeira e ética.
A universidade é o que consolida esta responsabilidade, pois cabe a estes profissionais adquirirem conhecimentos necessários para que a população possa usufruir da informação com qualidade. Acabar com a regulamentação da profissão é acabar com a seriedade de tudo que possa ser veiculado ou manifestado.
Alguns pontos específicos precisam ser abordados. O primeiro é a questão de que esta profissão, com suas técnicas, pode contribuir para que a notícia chegue ao público bem construída, ou seja, permite uma visão ampla e real dos acontecimentos e não a sua opinião pessoal.
O segundo aspecto é que através dos estudos pode rever conceitos, desenvolver o senso crítico e avaliar o seu papel social como profissional. O terceiro e o mais importante é entender como o exercício da profissão pode contribuir para benefício da população se for realizado com seriedade e ética.
É claro que o que acaba de ser exposto são apenas algumas das inúmeras questões que poderiam ser levantadas para sinalizar a importância da conclusão de curso superior para a profissão de jornalista. Entendo que qualquer cidadão tenha o direito à liberdade de expressão. Mas aqui estamos falando de uma expressão que é baseada em valores que só se conhece nas universidades.
Ter uma noção igualitária entre aqueles que exprimem idéias carregadas de conceitos e entre aqueles que aprendem a diferenciar uma opinião de um fato é um grande equívoco. Ignorar a aprendizagem da profissão que o meio universitário oferece aos futuros jornalistas é frustrante. Os veículos de comunicação não precisam de pessoas que noticiem fatos e acontecimentos à sua mercê. Precisam de profissionais preparados para exercerem com dignidade sua tarefa de reportar fatos.
Portanto, é este mesmo profissional que vai fazer com que o público possa, através de seu trabalho, exercer o direito à liberdade de manifestação. Mas, contudo, com um diferencial: serão manifestações carregadas não apenas de ideologias, mas de argumentos concretos e reais.
É esta a tarefa única dos jornalistas: revelar com precisão tudo que possa ser realmente importante para a formação crítica de uma sociedade. Não seremos colaboradores do poder inescrupuloso que defende a manipulação, a omissão e a falsa generosidade.
Ajudaremos sim a construção de seres humanos que não serão omissos frente ao seu direito à informação e, portanto, a futuras declarações. Defenda o direito da expressão consciente. Defenda a transformação social consciente. Defenda a profissão de jornalista!
ANA CRISTINA PEREIRA é estudante de jornalismo na Unopar (Universidade Norte do Paraná) em Londrina


