Jornalista do PR criou a marca de Lula
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domingo, 27 de outubro de 2002
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba O jornalista paranaense Mário Milani, que idealizou o símbolo da mão em ''L'', usado desde a primeira campanha à presidência pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989, avalia que o marketing de campanha do PT amadureceu muito com as três tentativas frustradas da última década.
''A concepção publicitária está mais requintada'', observa. Milani lembra que quando idealizou a mão em ''L'', numa alusão a Lula, usou o corpo para criar o símbolo porque a campanha não tinha dinheiro. ''Fizemos assim por causa da falta de recursos. Aliás, não recebi por esse trabalho, não cobrei'', conta o jornalista de 46 anos, formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Hoje, mais dedicado à área de informática e tecnologia, Milani, ex-repórter da Folha, continua ligado ao PT, partido no qual milita desde seus dias de estudante. Nascido em Cambé, ele foi candidato a vice-prefeito de Cascavel, em 1986.
O jornalista só lamenta que a mão em ''L'' não tenha sido mais usada nesta eleição. Ele acredita que sua criação poderia ter sido mais aproveitada pela equipe do publicitário Duda Mendonça, o atual comandante do marketing da campanha petista. ''Fiz, por conta própria, alguns adesivos para distribuir'', diz Milani. ''Em alguns estados, sei que o símbolo foi aproveitado espontaneamente'', acrescenta.
Leia a seguir trechos da entrevista que Milani concedeu à Folha, em seu escritório no bairro Água Verde, em Curitiba.
Folha Como foi elaborada e trabalhada a idéia do ''L''?
Milani Pensei em usar o corpo para criar um símbolo porque não havia dinheiro para produções elaboradas. A campanha era muito modesta, precisávamos de campanha custo zero. O (Fernando) Collor (candidato pelo PRN) mandou até fazer vídeo nos Estados Unidos para usar na campanha. Nós não tínhamos como fazer isso. Na época, era como telenovela mexicana. Eu trabalhava como roteirista, cinegrafista, editava de madrugada... Mas houve embasamento teórico na concepção desse símbolo. Fiz estudos de semiologia (a ciência dos signos), de gestos, comunicação não-verbal. Eu não poderia apresentar a idéia ao PT nacional sem embasamento. Inicialmente, é um cumprimento, mostra solidariedade. Depois, vira um gesto ritual. No momento em que faz o gesto, você literalmente incorpora a idéia. É um acessório importante de campanha, para intensificar o nome do candidato. Espero que agora se torne um símbolo de bons projetos.
Folha Qual sua avaliação do trabalho da atual equipe de marketing do PT, que mostrou um candidato mais moderado?
Milani Sem dúvida o Duda Mendonça e sua equipe são grandes publicitários. As campanhas evoluíram, o marco do marketing político foi em 89. Mas agora eles pegaram a fruta madura. Nós, que trabalhamos desde o começo, plantamos e adubamos, fizemos os alicerces.
Folha O que mudou nas campanhas do PT?
Milani O PT aprendeu a conhecer as manhas de seus adversários, e hoje trabalha em cima de dados, estudos, pesquisas científicas, o que antes não se fazia por falta de recursos. Mas o partido não pode esquecer seus dinossauros, seus integrantes mais antigos, porque daí corre o risco de perder a identidade.


