Não se falava em outra coisa nessa quarta-feira (6, pelo Brasil. A realidade novamente ofuscou a ficção quando as imagens das malas de dinheiro encontradas pela Polícia Federal (PF) em um apartamento em Salvador chama mais atenção do que as cenas de ostentação do casal fora da lei da novela da Globo, "A Força do Querer". As imagens de Bibi (Juliana Paes) e o marido traficante Rubinho (Emílio Dantas) brincando com dinheiro não terá mais tanta força. O apartamento vazio que estaria sendo usado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) abrigava malas e caixas com R$ 51 milhões. O nome da operação que apreendeu a fortuna é interessante, Tesouro Perdido. Perdido, pois não será fácil alguém assumir a posse da "dinheirama". O proprietário do apartamento informou à PF que havia emprestado o imóvel a Geddel, que cumpre prisão domiciliar desde julho e sem o uso de tornozeleira eletrônica. É uma operação policial puxando a outra e revelando cenas bizarras. O ex-ministro foi preso na Operação Cui Bono?, um desdobramento da Catilinárias que, por sua vez, era uma fase da Lava Jato que teve origem em conversas apreendidas no celular do ex-deputado Eduardo Cunha. A Polícia investiga Geddel por supostamente ter recebido propina no período em que foi vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Câmeras de segurança deverão ajudar a identificar quem eram as pessoas que acessavam o apartamento. Mais um constrangimento para os brasileiros, que se somou a outra suspeita vergonhosa revelada na terça-feira (5). A escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016, motivo de orgulho e festa durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, pode ter tido o "empurrãozinho" de propina. Os jornais inglês "The Guardian" e o francês "Le Monde" divulgaram que há indícios de que a eleição que deu a vitória ao Rio teve compra de votos de membros do COI (Comitê Olímpico Internacional). E o presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Carlos Arthur Nuzman, foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de ter ajudado na compra de votos. Quem imaginava que o maior escândalo dos jogos seria a escapada atrapalhada do nadador americano Ryan Lochte, não esperava que apareceria mais esse legado da Olimpíada no Brasil.

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