Uma bola, um jogo de camisas e doze ou quinze jogadores formavam um time. Da rua, do bairro ou da empresa surgiam campeonatos. E os campos da várzea destacavam talentos. Cobiçados por olheiros, que prometiam sucesso, fama e dinheiro após teste e aprovação em clubes profissionais de futebol.
Nunca foi tão fácil peneirar craques, embora um tanto de lenda misturado à dose de verdade tenha, desde o passado, criado a história da grande revelação descoberta durante uma pelada, com bola de meia, na rua de um bairro pobre.
Não se apurou se Denilson e Pablo, o primeiro com 18 e o segundo com 19 anos, surgiram para o futebol a partir da bola de meia ou frequentaram escolas de futebol, com mensalidade paga, para tentar o caminho da consagração. Ambos são ilustres desconhecidos e seus passes pouco ou nada valem. Mas já entram numa estatística que era rara ou ao menos desconhecida: a do jogador de futebol desempregado.
Também é comum neles um registro nada saudável. Denilson, conforme reportagem hoje no caderno Folha Cidade, foi flagrado roubando impulsos telefônicos. Há cerca de dois meses, foi Pablo também preso pelo mesmo crime. O primeiro ligava clandestinamente para a família, que mora em Mato Grosso. O segundo também. A única diferença é que o segundo tem família no Maranhão. Localidades à parte, a coincidência é que ambos alegaram falta de dinheiro para telefonar e muita saudade das famílias.
Eís uma forma triste de alertar que o futebol, apesar dos salários milionários de uns e outros, já tem esquema de revelação de talentos profissionalizado. Talvez Denilson e Pablo dessem excelentes craques. Talvez voltem para suas famílias e tentem outras atividades. Ou ainda tenham alguma chance de entoar o canto da cartolagem.
Walter Ogama

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