Durante a infância, Silvia Taioli Cordeiro, de 36 anos, viu seu pai jogar sinuca. Apaixonado pelo esporte, ele vivia querendo colocar uma mesa em casa. Até que realizou o sonho. Quando Silvia fez 14 anos, comprou a mesa e fez da filha mais velha sua parceira. ''Como ele não tinha com quem jogar, acabei aprendendo para fazer companhia'', conta. ''Nunca poderia imaginar que aquela brincadeira se tornaria minha profissão.''
Silvia atualmente é professora de sinuca. Jogadora profissional há cinco anos, atual campeã paulista, dá aulas nos clubes Paulistano, Sírio e Harmonia, entre outros. E a maioria de seus alunos é de mulheres. ''Elas estão querendo jogar bem e me procuram. Tem até senhoras com mais de 70 anos.'' Ela acredita que a presença feminina vem aumentando porque hoje a discriminação é menor. ''Há alguns anos, quando uma mulher entrava em um salão, achavam que ela queria arranjar um marido'', diz. ''Agora elas jogam para valer.''
Para as crianças, outra grande turma a quem dá aulas, o esporte é bom porque ensina disciplina. ''Eles aprendem a respeitar as regras e os amigos.'' Já os homens, minoria dos alunos, não se espantam ao ver que a professora é uma mulher. ''Nunca tive esse tipo de problema e acho até que eles preferem porque a mulher é mais paciente.''
Silvia lembra que a sinuca até pode parecer um esporte ''light'', mas só para quem não o conhece. ''Em uma partida de melhor de três, você anda um quilômetro e meio, se alonga, se flexiona, é um esporte completo'', diz. ''Além de exigir concentração. Quando você joga, não pensa em mais nada e isso te faz esquecer os problemas.'' Mas a dica para seus alunos não é a concentração. ''O segredo de um bom jogador é ter a postura certa.''

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