Joaquim, um nome que virou sinônimo de biblioteca
Caminhando entre professores e servidores da Escola Municipal Tereza Canhadas Bertan, no Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina), Joaquim de Medeiros Neto, 49 anos, é recebido com carinho e entusiasmo genuínos. Rolandense de nascimento, tem sido londrinense de sangue e alma quando se fala na educação dos pequenos de comunidades carentes. Nelas é que foi desenvolvida a maior parte das 11 edições do Projeto Biblos.
Na Tereza Bertan, inaugurada há pouco mais de um ano e meio, pode-se notar a importância do projeto. Por causa do Biblos, uma sala da escola recebeu inúmeras estantes, onde se emparelham, desde abril do ano passado, mais de 12 mil publicações, entre livros, apostilas e revistas. ''Até mesmo alguns pais e pessoas do bairro acabam aproveitando os livros'', frisa a professora Eugenia Rodrigues Miranda da Silva, diretora da instituição. A biblioteca já é uma grande conquista, numa localidade onde a carência material e cultural é perceptível.
O professor Joaquim explica que Biblos, palavra de origem grega, significa livro. A denominação entrou no seu dia-a-dia em agosto de 1998. Foi naquele mês que a Universidade Norte do Paraná (Unopar) uniu seus esforços junto com o Programa da Organização Não-Governamental (ONG) Alfabetização Solidária. E foi então que Medeiros Neto, mestre do curso de Pedagogia da Unopar, recebeu a missão de trabalhar na implantação do projeto em José da Penha, no Rio Grande do Norte.
A pequena cidade, encravada no sertão nordestino, tem cerca de 6 mil habitantes e muita pobreza. Não tem indústrias, vive de agricultura e é uma das 17 localidades do estado potiguar com prioridade no Fome Zero. E tem mais uma desvantagem: fica 3,4 mil km longe de Londrina. Isso não impediu que ele viajasse por 14 ocasiões ao município, onde foi implementado o primeiro Projeto Biblos.
Coordenada pelo professor, a iniciativa está chegando a sua décima primeira edição. Já montou dez bibliotecas, e distribuiu 86.848 livros. Existem outros 12 municípios ou escolas na fila para receber uma de suas edições. Tamarana, emancipada há sete anos, também deve seu acervo ao trabalho de Joaquim. A cidade foi escolhida para receber o Projeto Biblos 2 - e agora tem seu acervo bem recheado com as 17.092 obras obtidas através de doação, e que foram cuidadosamente encaixotadas, identificadas e transportadas para o local.
Depois, foi a vez da Escola Municipal Noêmia Alaver Garcia Malanga, no Conjunto João Turquino, receber o Biblos 3. Na quarta edição, o objetivo foi atender a Escola Eugenio Brugin, do Jardim São Lourenço. Como se vê, escolas municipais de bairros mais carentes estão tendo prioridade.
A intenção do projeto é destinar livros, enciclopédias, dicionários e revistas para as crianças. Mas também existe a preocupação com material de apoio para a instrução e aprendizado de professores, e de toda a comunidade das instituições que recebem o Biblos.
Até o próximo dia 27, A Unopar continua recebendo donativos para a montagem de sua 11 biblioteca.





