Para os cristãos de todo o mundo esta é a maior de todas as semanas, pois se relembra a paixão e morte de Cristo, bem como se festeja sua Ressurreição. Quem é esta figura tão cheia de opostos, mas que ao mesmo tempo fascina a muitos? Para responder a esta pergunta, não podemos negar a existências de três fortes correntes, quais sejam: uma que tenta negar a existência de Cristo como homem e Deus, outra que parte do princípio de que ele somente é homem e por fim a outra que, justamente, parte do princípio de que Deus se fez homem.
Jesus Cristo é aquela figura que muito se conhece e ao mesmo tempo pouco se conhece. É o personagem, com certeza, mais comentado e mais conhecido em todo o Planeta. Muito se escreveu, pesquisou e ainda muito será escrito e pesquisado sobre ele. Até parece que estamos falando de um ser e não-ser, tendo em vista aqueles que se utilizam de todos os meios para negar sua existência e aqueles que fazem justamente o contrário, ou seja, mostrar ao mundo esta figura tão carismática e apaixonada pelo amor, verdade, justiça e fraternidade que mudou e continua mudando as pessoas.
A resposta a estas questões está na forma ou na visão que se tem sobre o assunto. Primeiramente, tem-se que deixar bem claro que ao falarmos de Jesus Cristo, temos que considerar duas dimensões: uma é o personagem histórico, que nasceu, viveu e morreu na região, hoje denominada Oriente Médio; e a outra é o Jesus Cristo da fé, o filho de Deus que se fez homem para redimir os pecados da humanidade. É lógico que ao confrontarmos a razão com a fé, haverá confrontos diretos, pois são duas dimensões totalmente antagônicas e é difícil imaginar ou abstrair a idéia de que um Deus se fez homem e veio viver entre nós.
Assim, sempre haverá aqueles que até defendem a idéia de que houve a existência de um personagem chamado Jesus Cristo, mas que apenas passou pelo mundo defendendo as idéias de amor, paz, justiça, fraternidade e que por defender um novo reino acabou sendo mal interpretado e pagou o preço com a própria vida. Terminou sua missão com sua morte e passou a figurar apenas como um líder, um profeta que quis mudar a maneira de pensar e agir das pessoas.
Por outro lado, sempre haverá aqueles que defendem a idéia de que tanto do ponto de vista histórico, como do ponto de vista da fé, Jesus Cristo não passa de um personagem criado ou imaginado por aqueles que queriam criar uma nova religião para dominar as pessoas.
E por fim, conforme está escrito nas páginas da Bíblia, que é considerada uma das maiores fontes históricas da antiguidade, Jesus Cristo é aquele Messias esperado por tantos séculos, que ao se fazer homem para redimir os pecados da humanidade, foi necessário padecer, morrer, ser sepultado para poder ressuscitar ao terceiro dia.
As contradições até aqui mencionadas têm sua origem no próprio nascimento de Cristo. Primeiramente se esperava que o novo Messias fosse apenas um líder político e religioso que libertasse o povo de Israel do jugo dos romanos. Seria um novo Davi que se utilizaria da força e da espada para liderar o exército de um povo oprimido contra a tirania de um império que dominava o mundo. Ou seja, no própria ambiente em que Cristo viveu, sua imagem era vista apenas como de um homem que nasceu para liderar apenas no aspecto político e não como um filho de Deus que tinha a missão de redimir o pecado da humanidade.
Outro aspecto é que na própria comunidade em que Jesus vivia, tinha-se a plena convicção de que eles eram o único povo eleito, escolhido por Deus. Assim como aceitar a idéia de um Deus universal que veio para redimir ou salvar a humanidade e não apenas um povo?
Foi dentro deste ambiente de contradições que Jesus nasceu e tentou imprimir sua nova forma de pensar o humano e o divino. Por isso as diversas interpretações sobre sua pessoa enquanto ser histórico e divino. Assim, com o passar do tempo muitas foram as interpretações ou visões sobre a figura de Jesus Cristo, como por exemplo a apresentada no filme ‘‘A Última Tentação de Cristo’’, que é fruto de uma lenda antiga de que Cristo não teria morrido e sim constituído uma família e morrido, já idoso, na Índia, bem como o recente filme ‘‘O Corpo’’, que narra a descoberta de um corpo que poderia ser de Cristo. Tudo isto fundamentado em apontamentos de que a perfuração realizado com uma lança em seu lado direito seria para ele poder respirar – uma vez que a crucificação não lhe permitia – bem como a esponja umedecida não seria de vinagre e fel, mas de um preparado para que ele apenas desfalecesse.
O importante é que independentemente da visão que se tem deste personagem, uma questão é imperativa: sua forma de ver, ensinar e agir fez e faz com que todos ao tomarem conhecimento de seus ensinamentos passam a vê-lo como uma pessoa que deve ser seguida, como um líder, um profeta, um Deus. E, somente uma pessoa totalmente especial é que poderia possuir tantas denominações. Esta pessoa é Jesus de Nazaré.
- LUIZ ANTONIO PEDRO é filósofo, historiador e professor universitário em Maringá

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