"Jeitinho", ética e corrupção
Nos últimos anos a discussão sobre a ética na política ganhou força. Sucessivos escândalos de corrupção envolvendo servidores públicos, empresários e profissionais liberais e a divulgação das investigações promovidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público têm levado a população a discutir o assunto e a cobrar mais probidade de seus representantes. No entanto, não são apenas os políticos quem têm que promover uma profunda mudança em seu comportamento.
O conhecido "jeitinho brasileiro" e a mania de sempre querer levar alguma vantagem são práticas e atitudes que devem ser repensadas. Reportagem de hoje desta FOLHA aborda a questão da adulteração de atestados médicos. A prática foi identificada na rede municipal de saúde e apresentada por empresas que desconfiaram dos prazos que constavam nos documentos apresentados. Entre os casos, há atestados que eram de apenas um dia que foram modificados para quatro e até para seis dias.
Além de ser crime tipificado no Código Penal como adulteração de documentos o que muitas vezes a pessoa desconhece -, essa atitude traz prejuízos à empresa e aos próprios colegas de trabalho. Talvez falte a boa parte dos brasileiros a noção de direitos e deveres e da própria convivência em sociedade. O exemplo dos atestados médicos é apenas um, mas podem ser acrescentado outros, como furar a fila em bancos, estacionar em locais proibidos e por aí vai. Em todos os casos, a essência é a mesma: burlar a regra estabelecida em busca de alguns privilégios.
E chega-se ao cerne da questão: como cobrar uma conduta correta dos políticos se a própria população também não age corretamente? Se a maioria tem uma visão deturpada da lei é preciso discutir e trabalhar para modificar isso. As crianças têm que aprender princípios éticos e morais, como honestidade, veracidade e a importância de se respeitar e seguir a legislação. A sociedade tem que começar a discutir isso mais seriamente até para cobrar. Quando todos passarem a agir mais corretamente, a corrupção deixará de ser tolerada.





