Japoneses, história de bons serviços
Diferentes de outras etnias que povoam o Brasil e que também deixaram seu vastíssimo lastro de contribuições, em todos os campos, a comunidade japonesa veio marcando sua presença com celebrações de dez em dez anos, notadamente a partir da década de 50. E, no caso específico do Paraná, deixou em cada uma delas um marco histórico. Nos idos de 1950 implantou o Colégio Agrícola de Apucarana; nos anos seguintes, inaugurou o Centro Agrícola de Rolândia; em 1980 construiu a sede da Aliança Cultural Brasil-Japão, em Londrina.
Dez anos antes, nos festejos relativos à Imin-70, o mais solene evento foi a colônia japonesa trazer o então príncipe Akihito (hoje imperador) e a esposa, Michiko, fato de grande relevância porque membros da família imperial não eram vistos publicamente nem pelo povo do Japão. A festa máxima foi em Rolândia, com a presença também do presidente Ernesto Geisel. Conforme os registros da época, cidadãos japoneses vieram ao Brasil especialmente para conhecer os dois monarcas. Na última Imin veio do Japão o primeiro-ministro Keizo Obuti, que foi recebido em Rolândia pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. É oportuno rememorar que todos esses eventos, incluída a visita dos príncipes, foram possíveis pela ação política do então deputado federal Antonio Ueno, também responsável por inúmeras idas e vindas de comitivas empresariais e autoridades brasileiras ao Japão e de grupos japoneses ao Brasil. Novas lideranças de comunidade nipônica mantiveram essa tradição de intercâmbio e, nesta Imin-100, que hoje se celebra, deixam fincados marcos desta comemoração e trazem o príncipe Akihito, que será o próximo sucessor do trono.
Este Jornal participa da festa com a edição especial de um suplemento que circula hoje, mostrando facetas da saga japonesa e novos rostos ''orientais'', representados pelos descendentes, consolidados hoje como orgulhosos cidadãos brasileiros e todos exercendo atividades nas mais diversas profissões, continuando a obra dos seus ancestrais neste país. Alguns já chegam à sexta geração.
Reverentes por formação, os imigrantes japoneses sempre foram pródigos em agradecimentos ao Brasil - que sofreram muito no início e enfrentaram algumas barreiras impostas pelos empresários rurais paulistas que os contratavam. E os cidadãos deste país são gratos a esses co-irmãos das primeiras horas, vindos de tão longe, e aos seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos que hoje compõem esta nação de tantas mesclas culturais, juntas formando esta incomparável civilização. Que, com todos os seus percalços e muitas distorções internas ainda por corrigir, é uma das mais estimadas pelos povos do mundo. A presença dos japoneses - os pioneiros e os seus sucessores - é uma história de bons serviços que eles prestaram ao Brasil.





