Existe alguma semelhança entre Jânio Quadros e Nedson Micheteli? Quem foi aquele, quem é este? Jânio não provinha de família rica, não fazia parte do clã, não era dono de jornal, ou rádio, não tinha dinheiro, não participava de grupo econômico, foi eleito deputado pelos votos dos pobres e trabalhadores, numa campanha feroz, de fábrica em fábrica, contra os poderosos.
Como candidato a prefeito de São Paulo, Jânio lutou contra a máquina governamental, as mazelas, os achaques ao dinheiro público, a corrupção desenfreada, e nas ruas e bares de Vila Maria, era a esperança, a promessa de segurança, o ídolo popular que tinha o aval do povo sofrido, do trabalhador explorado, numa época em que todos sofriam nas garras dos gananciosos, dos profissionais do logro, da má-fé, da rapina, que se apropriavam da riqueza.
Jânio era a boa nova, a bandeira de luta combatendo a devassidão, a apropriação indevida, os ladrões do erário, os intocáveis fraudulentos que mantinham a chave do cofre, os cargos, a partilha, o poder e a burla permanente.
Jânio era a vassoura, para varrer os ladrões, sua campanha era do tostão contra o milhão, e em 1953, candidato a prefeito de São Paulo pelo PDC-PSB, derrotou as forças avassaladoras de Getúlio, Ademar, Garcez, Hugo Borghi, Ricardo Jafet e seus milhões de cruzeiros.
Elegeu-se prefeito. Nada e ninguém o deteve.
E Nedson? Fruto da nova geração de políticos, esgotada de presenciar o descalabro administrativo, os negócios escusos, a pilhagem, os saques, a rapinagem e o crescente descrédito dos partidos tradicionais, que mais enganam do que servem, Nedson tomou em suas mãos a jovem, inovadora e corajosa bandeira do PT, para dar um basta, em nosso município de Londrina, aos escândalos de todo o gênero, aos festins patrocinados pelos inimigos do povo, que fizeram da prefeitura e demais órgãos seu território, negociando, vendendo, roubando, deixando como herança dívidas, cofres vazios, cerca de 9 mil funcionários, o caos.
Nedson, candidato do trabalhador, dos desamparados, das casas populares, dos assentamentos descuidados, do São Jorge, do Maracanã, do Franciscato, dos pobres, dos oprimidos de Londrina, foi para estes o símbolo da renovação, do diálogo democrático, do amparo desinteressado, do amor fraterno, da lisura, da competência, da honestidade.
Nedson é a boa nova do ano 2000.
Aplaudido nas camadas populares, bem recebido e cortejado nos umbrais das igrejas, Nedson também não provém de família rica, não participa do clã, não é dono de jornal, rádio ou canal de TV, não tem dinheiro, não pertence a grupo econômico, não foi apoiado pelo governo, lutou contra os poderosos dos grandes partidos que tiveram todo o dinheiro oficial, escuso e da corrupção, que tudo empenharam para barrar seu caminho.
E nesta jornada, repetindo o feito de Jânio Quadros, após 47 anos, Nedson Micheleti, armado da fé que o acompanha, derrota os detentores do poder, os falsos profetas, os líderes da demagogia, os mágicos, os malabaristas, os políticos inescrupulosos, os aproveitadores de plantão, os compradores de votos, hoje, todos marchando para o além.
Não é semelhança, é o sinal do novo tempo, é o povo acreditando no homem simples, justo e sério, de coração limpo, sem medo de andar nas ruas, pois correto e digno, e que sozinho venceu Golias, provando que a soberania não tem preço e que o trabalho e a moralidade serão o modelo político do novo milênio.
- WALTER GASTALDI é advogado em Londrina

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