Curitiba – A postura política do governador Jaime Lerner foi alvo de críticas ontem durante a convenção estadual do PFL. As principais lideranças do partido aproveitaram o tempo do discurso para fazer desabafos. O deputado federal Joaquim dos Santos Filho disse que o governador tem sufocado o partido há anos. ‘‘Não tenho nada para falar da administração de Lerner. Mas a postura política dele tem sido destrutiva. Ele tem usado a nossa legenda para benefício próprio e de poucos companheiros’’, reclamou.
O deputado federal Abelardo Lupion classificou seu apoio a Jaime Lerner como o grande pecado que cometeu na vida pública. ‘‘Agora é nossa oportunidade de não deixar mais que ele nos ponha cabresto. Não sou burro, nem boi’’, declarou indignado, ao pedir apoio dos convencionais à tese de candidatura própria. Lerner defendia apoio a Beto Richa (PSDB), numa ampla coligação com o PSDB-PSL-PFL-PPB.
O deputado federal Rafael Greca, pivô da discórdia dentro do PFL, não poupou críticas às ações políticas de Lerner. Ele disse que Deus foi o grande responsável em evitar uma das piores ações que o Paraná poderia tomar: a privatização da Copel. Ele lembrou ainda que durante o governo Lerner a criminalidade aumentou (citou as mortes de mulheres em Almirante Tamandaré) e os professores e policiais militares amargaram promessas não cumpridas.
O clima ficou ainda mais tenso na chegada de Lerner. O governador não conseguia fazer seu discurso diante das vaias dos presentes na convenção. O deputado estadual Élio Rusch, secretário do PFL, teve que interromper o discurso de Lerner para pedir silêncio. ‘‘Não eram convencionais. Eram os cabos eleitorais de um ou outro candidato’’, defendeu Rusch.
Lerner discursou em torno da paz dentro do PFL e justificou seu apoio a Richa ao apoio que ele tem prestado à política econômica de Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Não quero que o Brasil se transforme numa Argentina ou numa Venezuela’’, disse ele. Os momentos mais marcantes da convenção foram as presenças de representantes do PPS e do PPB. Amadeu Geara, vice-presidente do PPS do Paraná, admitiu a possibilidade de uma conversação com o PFL. ‘‘Depende do resultado desta convenção’’, disse ele, apostando em Greca. O deputado federal José Janene, presidente do PPB do Paraná, pensava o contrário. ‘‘O PPB quer apoiar Richa. Não existe hipótese de coligação com o PFL se for aprovada a candidatura própria’’, alegava.
Até o final desta edição, o PFL ainda não havia iniciado a apuração dos votos dos convencionais. Caso fosse aprovada a candidatura própria, o partido decidiria apoio a Greca ou a Lubomir Ficinski para o governo do Estado. Caso fosse aprovada a coligação, seria aclamada a proposta de coligação com o PSDB - única formalizada à Executiva Estadual.

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