Jader Barbalho não deve voltar à presidência do Senado. Não deveria, aliás, retornar ao próprio Senado. Faz-se urgente que esse tipo de político entenda, de uma vez por todas, que Jader, Luís Estevão, Antônio Carlos Magalhães, Arruda e uns outros mais são responsáveis maiores por essa atmosfera política quase irrespirável em que a Nação vive hoje. Este o motivo maior pelo qual, juntamente com outros líderes oposicionistas, fomos exigir do presidente interino do Senado que convoque a Comissão de Ética da Casa e determine urgente investigação das acusações múltiplas de que o senador Jader é alvo maior.
Para nós, não adianta estar a culpar a imprensa pelo sensacionalismo das notícias que envolvem os homens públicos. Muito ao contrário, foram esses homens públicos, pouco dignos dos cargos que ocupam, notadamente quando esses cargos são revestidos de representação popular, que se envolveram num sem-número de tramóias que não conseguem sequer explicar.
Nem vale estar a alegar, como é comum, que tudo se trata de uma orquestração política, ora montada pelo Palácio do Planalto, ora montada por concorrentes políticos. Garotinho está aí mesmo a dizer que as acusações fazem parte da campanha presidencial. Claro que fazem parte. Mas elas decorrem de atos dolosos cometidos antes mesmo de qualquer candidatura ter sido pelo menos aventada.
Nada disso. A cidadania, no Brasil, não aguenta mais esse tipo de comportamento malsão, de parte de sua classe política, acompanhado pelo comportamento igualmente daninho do Judiciário que se permite a análise de um desses casos por dez, vinte anos, gerando aquilo que nossa cidadania detesta profundamente: a impunidade.
São muitos os crimes? Pois têm de ser muitas as acusações. Mas não apenas isso. Muitas têm que ser as averiguações, os inquéritos, a coleta de elementos de convicção o bastante para a punição dos culpados, uma das punições mais positivas sendo, quando o caso, a devolução dos recursos públicos criminosamente desviados do Erário.
Tudo isto, essa atmosfera irrespirável, essa sensação de impunidade, a lentidão da Justiça e o quadro geral de carências sociais acaba, como não poderia deixar de ser, por trazer o maior descrédito à classe política e sua atividade, essencialmente no Parlamento.
Esse descrédito levou, há alguns anos, a que o cidadão elegesse, por exemplo, o rinoceronte Cacareco, o macaco Tião e coisas que tais. Era o desespero, e, além da desesperança, um profundo desalento diante da impossibilidade de ver seus representantes lutando pela solução dos graves problemas sociais. De ontem e de hoje. Isto já não ocorre mais. Pelo menos da forma emblemática como já ocorreu.
Daí porque surge a necessidade de que nosso mundo político entenda o que se passa em termos de extensa e intensa mudança de comportamentos. Não adianta nada que esses cacarecos políticos insistam naquelas mensagens messiânicas, salvadoras da Pátria, com promessas que se esgotam ao descer de cada palanque.
A ética, esta há de prevalecer. Esta, aliás, a lição que nos ensina a cidadania, a mesma cidadania que está por trás dessas acusações, que as estimula e propaga e que exige – assim nós parlamentares percebemos ao visitar nossas bases políticas – além da punição dos culpados, a reforma integral do Estado, uma reforma que o retire de mero agenciador dos interesses de nossa elite, a mais parasitária, e se transforme em estimulador das mudanças sociais de que tanto carece a Nação brasileira.
Esta, pois, a lição que Jader, Arruda, Antônio Carlos, Luís Estevão e quaisquer de seus epígonos deveriam compreender. Não é a imprensa que acusa. Não são os meros jogos políticos que desvendam assaltos aos cofres públicos. Mais que isso, é a cidadania que impulsiona esses momentos de autêntica catarse, com os quais nossa terra e nosso povo se poderão livrar, o mais breve possível, dessa poluição política que, se mantida, envenenará o futuro do País.
- RUBENS BUENO é deputado federal, presidente do PPS-PR e líder da bancada na Câmara dos Deputados
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www.rubensbueno.com.br

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