RIO - O líder negro americano Jesse Jackson reacendeu a polêmica em torno do cantor Tiririca, que responde a processo na Justiça por crime de racismo por causa da música ‘‘Veja o cabelo dela’’. Durante um culto ontem na Catedral Presbiteriana do Rio, no Centro, o pastor recebeu, de integrantes do movimento negro Fundação Palmares, a tradução em inglês da letra da composição. ‘‘Coisas como esta devem ser rejeitadas por toda a população, brancos e negros’’, reagiu o reverendo Jackson.
A discriminação racial continuou em pauta no roteiro do pastor americano na cidade, na visita, à tarde, ao Morro da Mangueira. Jackson encontrou-se, na favela com Carlos Alexandre Rossi, o menino negro de seis anos que teve o visto de entrada nos Estados Unidos recusado pelo consulado americano. Os pais dele, Mônica e Luis Carlos Rossi, que moram no bairro da Tijuca, na zona norte, a cerca cinco de quilômetros de distância, foram à Mangueira especialmente para encontrar o pastor.
Jackson brincou com o garoto, levou-o no colo e pediu a seus pais que lhe dessem o telefone de onde Carlos Alexandre ficará hospedado em Orlando. O cônsul, James Derham, que integrou a comitiva de Jackson, acompanhou tudo de longe e não participou da sessão de fotos. Ele informou que o visto do menino será expedido hoje. ‘‘Foi tudo um equívoco e considero essa questão encerrada’’, desconversou.
Alegre, o reverendo Jesse Jackson participou de toda a programação e até dançou com o grupo ‘‘Aqui também se ama’’, formado por moradores de várias favelas do Rio, que estão preparando um musical baseado no tema do preconceito. O grupo fez uma exibição de dança na quadra da escola de samba Mangueira e, no fim, o senador integrou-se à equipe, pulando e batendo palmas. Depois, fez um discurso no qual comparou a importância de Zumbi dos Palmares à dos líderes negros Martin Luther King e Nelson Mandela.
Para ilustrar suas declarações sobre racismo no Brasil, Jackson citou a Universidade de São Paulo (USP), lembrando que, dos cerca de 60 mil alunos, apenas mil são negros, e que entre cinco mil professores há somente 36 negros. ‘‘Isto é uma prova do preconceito’’, comentou.

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