Bala perdida. Sequestro de professora por estudantes. Ameaça em escolas. A nova face da violência na região de Londrina já não poupa ninguém. Em visita à cidade, o vice-governador Orlando Pessuti afirma que a situação é ainda pior na região metropolitana de Curitiba, onde diz ter sido assaltado três vezes. Questionado pela FOLHA, Pessuti alega que o aumento da violência não está ligado a ''ausência do governo''.''O que existe é uma presença maior dos problemas ligados à área de segurança''.


Apesar dos investimentos anunciados pelo governo, a violência aumentou. Onde está o erro?

Desde o primeiro dia de governo, todas as semanas reunimos o primeiro escalão da segurança, o poder judiciário, aqueles ligados à ressocialização de menores, para discutir soluções com a sociedade. Temos investido muito na área, mas tudo isso ainda não foi suficiente para resolver o problema. Você diz que em Londrina a violência se agrava, mas temos problemas sérios também em Foz do Iguaçu, Cascavel, e na região metropolitana de Curitiba, onde diria que a situação é até pior. Agora, temos que fazer mais do que estamos fazendo. Estamos buscando realmente entender o que mais temos que fazer.


O governo não sabe o que fazer a mais?
Saber o governo sabe, e está fazendo. Mas temos que ver o que mais (pode ser feito) do que isso que estamos fazendo.


O governo reconhece que a violência está crescendo?

Os números da secretaria de Segurança mostram que não há esse aumento indiscriminado como muitas pessoas colocam. Em algumas regiões, em alguns momentos, temos situações de agravamento, mas há que se registrar que no Paraná não temos um caso de sequestro que não tenha sido solucionado.

Londrina está assistindo agora às mortes por bala perdida, algo que só existia em grandes metrópoles...

É uma situação que nós não tínhamos e que temos hoje. Devemos buscar solução para o problema. O Rio de Janeiro não achou a solução em 20 anos, São Paulo também não. Mas conseguimos coibir, por exemplo, o crime organizado, como PCC e Comando Vermelho. Vejo que a situação é difícil, precisa ser enfrentada com muito vigor, e é isso que está fazendo o governo do estado. Se não tivemos ainda os resultados que todos queremos, ninguém pode dizer que não estamos lutando para isso.


A violência também chegou às escolas, com sequestros, agressões e vandalismo, apesar da presença da Patrulha Escolar. A secretaria de Educação sequer responde às reclamações publicadas pela FOLHA sobre o assunto. Não falta envolvimento do governo?

Se existe um setor cuja presença está em todos os lugares é o da educação. Então, não existe ausência do governo, o que existe é uma presença maior dos problemas ligados à área de segurança. Veja, você diz que tem a polícia comunitária e o problema na escola não foi resolvido. Então, não é uma questão só de polícia. O problema está na desagregação familiar e na falta de um sentimento de religiosidade que vem desaparecendo das pessoas.

O governador e o vice do Paraná recebem os maiores salários do país para as mesmas funções - R$ 24.500 e R$ 23.275, respectivamente -, o que equivale a 130 salários mínimos...

Acho que o salário que recebo é justo por tudo que procuro fazer pelo Paraná. Estou há 24 anos na vida pública trabalhando pelo Estado, abri mão de ir para o Tribunal de Contas onde teria salário igual ao do governador e aposentadoria como conselheiro, para ficar na política. Não é um salário exagerado, entendo que ruim é o salário mínimo pago no Brasil. Gostaria que muitos paranaenses ganhassem um salário como o meu e recomendo a quem queira que batalhe como batalhei na vida.

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