Brasília A estratégia do Itamaraty de expandir as exportações brasileiras para o extremo Oriente será encorpada neste ano por duas iniciativas. Em uma primeira frente, será elevado o status do consulado do Brasil em Xangai, na China, que passará a sediar um Setor de Promoção Comercial (Secom) voltado prioritariamente para os negócios entre as iniciativas privadas dos dois países. Na outra linha, o Itamaraty prepara uma missão empresarial para países com os quais o Brasil praticamente não mantém laços comerciais o Vietnã, o Camboja e o Laos.
Ao lado da Índia, a China é hoje um dos mercados mais cobiçados pelos setores produtivos brasileiros e dos que mais vêm recebendo a atenção do governo brasileiro, principalmente depois de sua adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC), no início do ano passado. Essa cobiça deverá ser acentuada pelo novo governo com uma possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva àquele país.
Em 2002, o mercado chinês absorveu apenas US$ 2,520 bilhões em produtos brasileiros. Embora minguada, em comparação com o potencial de compras desse país, a cifra correspondeu a uma expansão de 32,5%, em comparação com o desempenho de vendas do ano anterior. A China ainda foi o destino de investimentos da Embraer, que produzirá aeronaves destinadas a companhias aéreas locais.
Segundo o embaixador Mário Vilalva, diretor-geral do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, a representação brasileira em Xangai foi elevada à condição de consulado-geral o que permitirá a transferência de diplomatas mais graduados e de analistas de comércio exterior e a contratação de pessoal local de melhor nível profissional, em especial para o Secom. O consulado será conduzido pelo ministro João Mendonça, diplomata que hoje atua como assessor internacional do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Os resultados garantidos na balança comercial de 2002 pelas exportações brasileiras a mercados não tradicionais, sobretudo no segundo semestre, levou o Itamaraty a aceitar a sugestão do deputado Aldo Rebelo (PcdoB-SP) de organizar uma missão comercial para o Vietnã, Laos e Camboja ainda neste ano.
Segundo Vilalva, uma das brechas para as exportações brasileiras no Vietnã já foi aberta pela cooperação da companhia Braspower com empresas russas, voltada para a construção de uma usina hidrelétrica no país.

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