BRASÍLIA - Itamar Franco desembarcou ontem no Aeroporto de Brasília com recepção de candidato, preparada pelo servidor aposentado Nísio Tostes, líder do ‘‘Movimento Teotônio Vilela - Itamar-98’’. Em torno do embaixador do Brasil na OEA, Tostes reuniu um grupo que gritava elogios e eslogans de campanha eleitoral. O ex-presidente gostou da recepção mas não assumiu a candidatura: ‘‘Ainda está muito cedo para falar de sucessão’’, repetiu, em três entrevistas.
O grupo de Tostes distribuiu adesivos com a frase: ‘‘Quem criou o real tem um compromisso com o Brasil.’’ No canto da peça, o nome de Itamar e uma bandeira brasileira com a inscrição: ‘‘Um compromisso real.’’ Apesar do ‘‘compromisso’’, o embaixador não anda com cédulas de real no bolso. Ele teve de assinar um cheque de R$ 16 para pagar o táxi que o conduziu até o hotel, depois que o carro alugado para transportá-lo quebrou no meio do caminho.
Mesmo combatendo a privatização da Vale e a tese da reeleição, Itamar foi cuidadoso e não fez nenhuma crítica em público ao presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Estamos unidos por uma amizade fraternal’’, disse Itamar. ‘‘Uma amizade forjada em nosso convívio no Senado e nas duas vezes em que ele foi meu ministro e, depois, meu candidato.’’ O Planalto, ao mesmo tempo, desautorizou os rumores de que Fernando Henrique estaria aguardando a demissão do embaixador.
‘‘Imagina! Não há razão para ele sair de lá. Está ótimo lá. É bom embaixador’’, disse o presidente, garantindo compreender as divergências: ‘‘Essas opiniões ele já emitiu várias vezes, são antigas’’. E acrescentou: ‘‘Isto aqui é uma democracia’’. Depois, telefonou para Itamar quando este almoçava na residência do senador José Sarney, e o convidou para tomar um café, hoje, no Palácio do Planalto.

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