Belo Horizonte - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), admitiu indiretamente ontem que poderia formar uma chapa com José Serra. E, assumindo o papel de ‘‘noiva’’ da sucessão presidencial, deixou em aberto seu leque de alianças possíveis, na oposição e na situação.
‘‘Tudo pode acontecer’’, disse, por exemplo, quando questionado se aceitaria uma vaga de vice de Serra, representante do governo que vem combatendo desde 1998, quando assumiu o governo mineiro.
Nos últimos dias, empresários de São Paulo lançaram a idéia, que não foi rebatida por Itamar. ‘‘Há várias possibilidades. Hoje eu me preocupo mais com o outro lado do rio (bloco governista) do que com o nosso próprio lado. Está curioso saber o que está acontecendo lá, estou vendo de binóculo’’, disse.
Questionado se ‘‘atravessaria o rio’’, seguindo seu próprio raciocínio simbólico, o governador disse que, se fosse o caso, construiria uma pinguela, ponte ou iria a nado mesmo. ‘‘A outra margem está muito mais interessante’’, afirmou.
O ex-presidente, ainda se mantendo enigmático, elogiou Serra, dizendo que ele não foi seu ministro devido a ‘‘circunstâncias’’. O ministro da Saúde é, ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, os únicos tucanos que mantêm diálogo com o governador.

mockup