O Brasil está na vanguarda da pesquisa de novas fontes energéticas que emanam, desde de 2011, do Itaipu Parquetec, um centro avançado que funciona do lado brasileiro da hidrelétrica que é um dos orgulhos do Paraná.

De lá saem pesquisas sobre o biometano e o hidrogênio verde (H2V), bem como sobre o uso de energia solar, entre outras fontes que renovam a configuração das energias sustentáveis no Brasil e no mundo, como mostra a FOLHA nesta edição em uma grande reportagem de Simoni Saris.

Mirando o setor de transportes, por exemplo, que representa 33,2% do consumo de energia no Brasil, uma revolução a partir das energias renováveis visa a substituição de derivados de petróleo, como o óleo diesel, para o transporte de 60% de cargas que ocupam as estradas brasileiras.

Dois trunfos para a substituição dos combustíveis poluentes, à base do petróleo, são justamente o biometano e o hidrogênio verde - também chamado hidrogênio de baixo carbono - biocombustíveis promissores que já colocam o Brasil como um país altamente competitivo no setor, o que torna o parque tecnológico de Itaipu uma referência quando o assunto é a mobilidade limpa.

O centro de pesquisa trabalha também para atender projetos da indústria nacional criando parcerias, o que oferece crescimento econômico. Um exemplo é o acordo de R$ 150 milhões firmado em 2024 com o JAQ, do Grupo Náutica, para potencializar o hidrogênio verde no Brasil e transformar a navegação brasileira com a descarbonização do setor.

Na Cop30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), realizada em novembro de 2025, já foi apresentado um barco que navega 100% com hidrogênio, devolvendo como único "resíduo" a água pura após seu uso.

Mas essas não são as únicas maravilhas que abrem o Brasil e o mundo para um novíssimo futuro.

No Centro de Gestão Energética do Itaipu Parquetec, pesquisadores também trabalham para a produção de baterias de segunda vida, com reaproveitamente dessas unidades que já transformam o setor automobilístico mundial, exigindo soluções também para o descarte das fontes de energia usadas pelos carros elétricos. A reutilização de baterias, com o desenvolvimento de conversores, deu à pesquisa nacional uma configuração pioneira, abrindo espaço para novas parcerias.

A inovação se amplia tendo ainda em vista a energia solar, hoje tida como uma das fontes mais requisitadas no mundo com o desenvolvimento de "fazendas" de placas solares em terra e no mar. Neste sentido, a Itaipu Binacional já implantou uma usina solar flutuante do lado paraguaio de seu reservatório que está funcionando de modo experimental.

As placas solares flutuantes ocupam uma área de menos de um hectare do reservatório, o que corresponde a menos de dez mil metros quadrados. Em estágio inicial, a usina solar serve para avaliar custos e medir o desempenho desta nova fonte enérgética, bem como para mensurar os impactos ambientais. Teoricamente, se a estrutura fosse ampliada, alcançando 135 quilômetros quadrados, o equivalente a 10% da área total do reservatório, calcula-se que a geração de energia seria equivalente a outra usina de Itaipu.

O que seria impensável há menos de cem anos, hoje projeta-se como realidade para a preservação do planeta, transformando os combustíveis fósseis em coisa do passado a ser engolida por sua própria fumaça. Com muito orgulho, o Parquetec da Itaipu Binacional faz parte desta história.

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