A situação da Polícia Civil no Estado do Paraná que esta FOLHA denuncia hoje, através da reportagem de Luciano Augusto (‘‘Paraná perdeu metade de seu efetivo nos últimos sete anos’’, pág.7), é consequência do descaso para com os paranaenses, um povo altamente produtivo na geração de riquezas e recolhimento de impostos - para resumir em poucas palavras a qualidade da nossa gente. Mas a gestão pública desses anos todos se caracteriza também em falta de respeito para com a própria instituição como fica implícito na opinião dos dois sindicatos da categoria.
  Não é muito diferente do que ocorre com a Polícia Militar. Não adianta cobrar eficiência dos comandos locais e regionais da PM, porque eles não contam com o efetivo adequado. No interior há um esforço, em muitos casos profundamente meritório, da PM para superar as limitações da estrutura. Tanto que a sociedade deixou de cobrar atuação de policiais e passou a cobrar a ausência da polícia, debitando ao Palácio Iguaçu as falhas na segurança. São coisas diferentes; havia um erro de interpretação. A falta de segurança não se deve, necessariamente, à ‘‘fraca atuação da PM’’. Quem falha - e nos ignora - são os comandos do governo. São, na verdade, os governadores e seus auxiliares. Conclusão elementar até.
  Talvez isto ocorra porque sabem que na hora de pedir votos têm todo tempo do mundo na TV - de graça - para suas grandiloquências e falas pomposas. Uns olham no seu olho de expectador querendo sugerir verdades e porque de tanto discursar acabam acreditando naquilo.
  Dias atrás, no horário político da Justiça Eleitoral, em que os candidatos em campanha falam o que querem sem contestação, um dos postulantes elogiou a política de saúde pública do Brasil e do Paraná. Não é necessário falar da tragédia que é a saúde no Brasil. Até as televisões - generosas com o poder - mostram exemplos das falhas na saúde.
  Está na reportagem: Há sete anos, a Polícia Civil no Paraná tinha um efetivo de 6.704 servidores para uma população de 8.413.593 (1 policial para cada 1,255 mil pessoas). Hoje, a população é de 10,6 milhões para 3,2 mil policiais civis (1 policial para quase 3,4 mil pessoas).

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