Jerusalém - O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, sob pressão do presidente americano George W.Bush, resolveu ontem, depois de breve consulta com seus ministros e chefes dos organismos de segurança, libertar o presidente palestino Yasser Arafat.
Por outro lado, 19 palestinos reclamados por Israel entre os 200 que estão com ele na Mukata de Ramala, continuam ameaçados. Segundo o conteúdo da decisão difundido pela rádio pública, as forças israelenses os capturarão se saírem com Arafat, ou se em caso do presidente sair, continuarem no edifício.
As forças que há onze dias os mantêm cercados no único edifício habitado que ficou na sede do Governo de Ramala, a Mukata, terão que ''se reorganizar'' fora dessa área.
Isto significa que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Arafat, e os outros 179 palestinos não procurados por Israel, poderiam sair em liberdade ontem mesmo segundo avaliação de fontes do Governo , do edifício sitiado.
A decisão adotada na reunião de Sharon com seus ministros e os chefes do dispositivo de segurança devia ser aprovada ainda pelo plenário do Conselho de Ministros, que se reuniria ontem ao meio-dia, antes que o chefe do Governo empreendesse viaje para Moscou.
A invasão à Mukata começou na quinta-feira retrasada depois de dois atentados de suicidas palestinos, um deles em um ônibus de Tel Aviv, nos quais morreram oito pessoas e mais de 60 resultaram feridas.
Fontes militares citadas ontem pela rádio pública, sem identificá-las, sustentavam que o Poder Executivo cometeu um erro ao ordenar essa operação, que levantou a comunidade internacional e os Estados Unidos contra Israel.
Críticas - Por sua vez, Yasser Arafat expressou sua insatisfação com a ''retirada'' das tropas israelenses do local, cercado durante os dez últimos dias. ''A retirada não foi completa'', afirmou o líder palestino no interior do único edifício que continua de pé no complexo do governo.
''Israel só decidiu deixar os arredores do complexo e dar-nos alguns metros a mais'', disse Arafat, que se reuniu ontem com Terje Rod-Larsen, enviado da ONU aos territórios palestinos ocupados.
''Trata-se de uma clara violação da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que exige uma retirada imediata e total das tropas israelenses da Mukata e dos territórios autônomos palestinos'', disse Arafat a um grupo de jornalistas.

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