Outro não é o nome senão irresponsabilidade, que é a razão porque questões de saúde pública passem por tantos problemas em Londrina e venham freqüentando o noticiário. O Hospital Universitário ameaça desativar 50 leitos, o Hospital Evangélico suspende a cirurgia de mãos e acena com o fechamento da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. O HU alega que a idéia de desativar os leitos é ‘‘dar garantia à qualidade do serviço’’, algo que não se entende se a anunciada melhoria para alguns resulte em prejuízo para os que sofrerão com a desassistência. O governador Roberto Requião, que esteve na cidade quinta-feira e tomou conhecimento do fato, disse que o HU ‘‘tem funcionários demais’’, embora afirmando que irá avaliar as necessidades do hospital. No caso das cirurgias das mãos, em cuja listagem existem 200 pacientes em tratamento, afora as novas eventualidades, há uma briga entre o Hospital Evangélico e a Secretaria Municipal de Saúde. Uma instituição culpando a outra, e vice-versa, e nessa queda de braços ficam no meio os pacientes, correndo o risco de perderem as mãos ou vê-las definitivamente atrofiadas. O Secretário da Saúde do Município declara que o entrave não tem a ver com o repasse de verbas e que a dificuldade esta na interpretação das normas do Ministério da Saúde. Burocracia, que outra coisa não é senão irresponsabilidade. Ele afirma que estes ‘‘são problemas superáveis’’, mas pessoas que tiveram dedos reimplantados e têm necessidade da seqüência de cirurgias esperam meses a fio, enquanto ‘‘os problemas superáveis’’ demoram para chegar à superação. A questão da UTI Neonatal esbarra num aguardado ‘‘sinal verde’’ dos governos estadual e municipal, conforme revela a diretora do Hospital. Explicações técnicas e outros mil argumentos, de parte a parte, escapam do entendimento das pessoas, em especial os pacientes e seus familiares, e nem os mais esclarecidos entendem as razões dessa cantilena, que nestes casos, como em tantos outros anteriores, é antiga. No pacote da irresponsabilidade envolvendo essas histórias encontra-se também a ausência de capacidade para o diálogo e a solução, e a conhecida má vontade, que traz na esteira outras mazelas do vasto campo da burocracia e das dissidências. Enquanto isso, os doentes padecem, mas tal parece sensibilizar pouco os dirigentes da área da saúde pública e outros de seus agentes detentores de poder. Tudo reside na área do poder, que no caso é o poder de dificultar.

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