Irresponsabilidade de fabricantes de veículos
É inaceitável que indústrias tradicionais fabriquem veículos com defeitos graves que possam oferecer risco à segurança, por isso gerando os já conhecidos chamamentos públicos para corrigir falhas. Agora uma marca conhecida convoca os adquirentes das vans (fabricadas entre novembro de 2007 e maio deste ano) para recall por causa de defeito na coluna da direção. O alerta diz que pode ocorrer a ruptura da solda que fixa essa barra, podendo ocorrer a perda da dirigibilidade.
Nada mais grave que uma tal imperfeição, que pode causar acidente de dimensão imprevisível, tanto para os próprios passageiros como os de outros veículos, nas cidades e nas rodovias. Não se concebe que um defeito dessa natureza possa ocorrer, com toda a tecnologia hoje existente e os tantos anos de experiência da indústria automobilística mundial. As próprias corridas nos autódromos têm servido para teste de equipamentos da frota rodante.
Para tudo de ruim que acontece no trânsito culpa-se principalmente o motorista, mas o problema está também na negligência da sinalização, na péssima condição de ruas e estradas e em defeitos dos veículos os velhos, pelo desgaste e por desleixo nos cuidados, e muitos dos novos por defeitos de fabricação. Quando são pequenas as falhas não há grande risco, mas não quando afetam a coluna da direção. O consumidor prejudicado tem direito a indenização em caso de acidente, mas os que morrem não têm a quem recorrer, e os que sofrem ferimentos mais sérios e mutilações não podem recuperar-se. Não há outro nome para o descuido das fábricas senão irresponsabilidade, desprezo pela vida e desconsideração aos usuários de veículos. Um simples chamado para recall não isenta os fabricantes da culpa pelas falhas técnicas. O problema não é só brasileiro, porque os veículos têm padrões universais idênticos e a performance dos motores é uniforme, com poucas variáveis. Se as inovações pontuais são constantes, não se pode fazer experimento com veículos rodando nas vias públicas.
Não há explicação convincente para tais negligências, pelo fato de o veículo automotor servir ao transporte de pessoas. Se os poderes públicos são negligentes e no mais dos casos despreparados e desconhecedores da relevância de certos problemas como o das estradas e da sinalização a indústria privada tem caminhado mais à frente e não pode perder credibilidade. Concorrer em qualidade e não apenas em beleza externa, esta deve ser a sadia concorrência do setor automobilístico.





