Irmão de Dutra acusa funcionários da cadeia
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sábado, 05 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Esdras Dutra Pinto, irmão de Fernando Dutra Pinto, que também participou do sequestro de Patrícia Abravanel, acusou ontem os funcionários do Centro de Detenção Provisória 2, do Belém, em São Paulo, de terem provocado a morte do irmão. Num depoimento ao juiz Octávio Machado de Barros Filho, da Vara das Execuções Criminais, na presença da promotora Cristina Bilcher e da advogada Maura Marques, afirmou que Fernando começou a passar mal depois de ter sido espancado pelos agentes penitenciários.
O espancamento ocorreu no dia 10 de dezembro. Segundo Esdras, bateram muito nos braços, pernas e nas costas de Fernando. Usaram canos de ferro. Bateram porque não chamou um deles de senhor. Fernando, ainda segundo Esdras, foi levado para o 81º Distrito, do Belém, próximo do CDP e citado num boletim de ocorrência como agressor dos funcionários. Na volta, foi direto para a cela forte, onde ficou 11 dias isolado dos demais presos.
Ainda conforme Esdras, Fernando não foi medicado e ao voltar para a cela seu estado de saúde piorou por causa da bronquite. Ele vivia se queixando de dores pelo corpo, peito e sentia falta de ar. Fernando se queixava que não o atendiam na enfermaria. A situação piorou depois que comeu bisteca.
O irmão de Fernando revelou ao juiz que o CDP não tem enfermeiros. Os funcionários do presídio atendem os detentos. Declarou que para a falta de ar e as dores no peito aplicavam Benzetacil. O responsável pelo plano do sequestro de Patrícia e pela invasão à mansão de Silvio Santos começou a recusar a comida. No dia de Natal, Esdras disse que serviram linguiça estragada e quase ninguém comeu. Fernando não experimentou nada. No sábado voltou a se queixar da bronquite. Não tinha forças e foi atendido na enfermaria por ter se queixado também dos problemas causados pela carne de porco.
Esdras declarou que no domingo o irmão saiu da cela e não voltou mais. Ele foi avisado da morte de Fernando no começo da tarde de quarta-feira. Estranhou os termos da carta escrita pelo irmão que se referiu ao cigarro e à lâmpada. Por causa da bronquite ele fumava pouco. Quanto à lâmpada, pode ter sido um pedido de ajuda, explicou Esdras em seu depoimento.
Ontem, o Conselho Regional de Medicina abriu inquérito para apurar se houve negligência no atendimento. Um laudo preliminar das vísceras elaborado pelo Instituto Médico-Legal (IML) não revelou presença de veneno.


