Dublin - Até pouco tempo, a Irlanda era conhecida somente como a terra do U2. Agora, para muitos brasileiros, virou a terra da prosperidade. A cada dia, dezenas deles chegam ao país, especialmente à capital, Dublin. Dados não oficiais dão conta que, atualmente, cerca de 20 mil brasileiros estão espalhados pelo país. Deste total, cerca de 4,2 mil estão em Dublin. E o número cresce a cada dia.
A Brasil Forall, empresa que vende cursos de inglês para brasileiros na Irlanda, registrou aumento de 100% nos seus negócios em 2007. Para este ano, espera crescimento semelhante. ''O dia seguinte será sempre melhor'', comemora o dono da empresa, Márcio Chaves, 38, há sete vivendo no país.
Muitos brasileiros que chegam à Irlanda sequer possuem alguma informação sobre o país. Geralmente, eles vêm atrás de algum amigo ou parente ou porque tiveram o visto negado para outro destino.
O que traz não somente brasileiros, mas o mundo para a ilha, é a facilidade de se conseguir trabalhar legalmente e os salários oferecidos. Paga-se mais por hora (o mínimo de 8,65 euros) do que nos demais países da União Européia (UE), da qual a Irlanda faz parte.
Histórico
A Irlanda é o país da UE que mais cresce, tanto que é considerado o ''Tigre Celta'', em alusão aos crescimento dos países asiáticos. Em 2007, o país avançou 5,3% economicamente e a expectativa é de que cresça 3,6% este ano. Parece pouco, mas, segundo economistas, vive o chamado efeito ''catch up''. Isso significa que o país, muito pobre há cerca de 20 anos, estava com seu crescimento econômico represado e agora esta alcançando (''catch up'') o padrão econômico dos países da UE.
O crescimento vem sendo sustentado especialmente pelo setor de comércio e servicos, cuja taxa de elevação foi de 9% em 2007, de acordo com informações do site www.cso.ie, da Central Statistics Office Ireland. E crescimento gera emprego, o que tem atraído muita mão-de-obra de países da Europa, especialmente do Leste Europeu, além de chineses, coreanos e brasileiros.
O caminho para entrar no país é comprar um curso de inglês, que foi uma solução encontrada pelo governo para turbinar o setor de comércio. O curso permite que o estudante trabalhe legalmente por 20 horas semanais. Se o candidato possui nível de inglês intermediário, pode até conseguir um emprego razoável em escritórios de lojas ou empresas. Se o nível do idioma for básico, além de pagar mais caro, as opções diminuem.
Não se deve esperar tanto do trabalho. Assim como em outros países que também já foram (e ainda são) o sonho do brasileiro, como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, a maior parte das vagas oferecidas é de subemprego. Por toda a cidade, é possível encontrar engenheiros brasileiros lavando prato ou psicólogas e administradoras de empresas varrendo o chão.
Mas, como está crescendo, há demanda por mão-de-obra qualificada. Isso porque a Irlanda sofre de problemas semelhantes ao do Brasil. Setores como os de saúde e transportes ainda são precários. O primeiro especialmente por falta de médicos, dentistas e enfermeiros. Alguns brasileiros que já passaram por atendimento médico em algum dos hospitais de Dublin reclamaram do serviço.
Movimento
A emigração de brasileiros para a Irlanda começou em meados da década de 90, na cidade de Anápolis, em Goiás, com a exportação de trabalhadores para as indústrias de frango, especialmente na cidade de Cork, no sul. Márcio Chaves foi um deles. ''O tratamento era de escravo mesmo. O trabalho era muito, muito pesado'', diz. Hoje, na propriedade de quem esta há sete anos vivendo (bem) no país, ele diz que as coisas melhoraram muito. ''Se você tiver um inglês fluente, pode até conseguir uma vaga na sua área'', diz.
Mas uma fonte do Escritório Nacional de Imigração em Dublin, que pediu para não ser identificada, acredita que o cerco vai se fechar. ''Tem muito brasileiro vindo para cá para usar a Irlanda como entrada para outros cidades, como Londres. E a polícia de lá está apertando a imigração daqui para não deixar qualquer um entrar'', diz.
De acordo com a fonte, muitos brasileiros tentam ficar ilegalmente e, por isso, a polícia está sendo mais criteriosa. ''Para vir para cá, a pessoa precisa estar regularmente matriculada num curso de inglês e frequentar 85% das aulas. Só que tem gente que usa a escola só para entrar, já com o intuito de trabalhar somente. Normalmente, as escolas são obrigadas a avisar a imigração sobre os alunos faltosos, o que pode levar à deportação do aluno'', alerta.
Quem está devidamente matriculado em um curso de seis meses pode ganhar um visto de permanência de até um ano para trabalhar legalmente.

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