IRB não pode ser uma caixa preta
A imprensa nacional está considerando a CPI dos Correios algo tão grave que não sobra espaço para outro episódio igualmente preocupante: as denúncias de desvios no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). Ontem o Congresso confirmou para amanhã, às 10 horas, a sessão em que será lido o requerimento de criação da CPI. Imagine-se o que rola nestas horas. Quanto ao IRB, a apuração depende do Executivo, através da Polícia Federal. A situação do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), ou ''IRB-Brasil Re'', exige um plano que transcenda a ação investigativa; exige inovações para evoluir em direção às aspirações da sociedade. E fugir da velha máxima de que ''seguro morreu de velho'', uma idéia preconceituosa a sugerir que seguro, no Brasil, ainda não está nos planos das pessoas, o que é um erro. Mas depende do governo: o projeto de criar um seguro popular para carros com mais de cinco anos, por exemplo, não saiu do papel. O IRB-Brasil, apesar da sua pouca frequência na mídia, é uma instituição forte. No ano passado a empresa teve lucro líquido de R$ 432,655 milhões com expansão nominal de 32% em relação a 2003. O patrimônio líquido da empresa ficou em R$ 1,379 bilhão, com incremento de 14% em relação ao R$ 1,210 bilhão do ano anterior. A rentabilidade do patrimônio líquido inicial ajustado foi de 36,3% (31,6% em 2003). Não é à toa que os políticos incursionam pela instituição, ao mesmo tempo alvo de lobistas de outras empresas. O irmão de um ex-ministro importante do governo FHC, por exemplo, conseguiu que o Banco do Brasil criasse uma seguradora para fazer parceria com a empresa que representava. Sintomático: os escândalos no IRB vinculado ao Ministério da Fazenda eclodem exatamente no momento em que o governo ensaia mandar para o Congresso um projeto de lei que altera o monopólio do IRB. O fim do monopólio, uma idéia discutida discretamente no Planalto, é alvo de tentativa de aborto. Resseguro: O IRB-Brasil Re, empresa criada em 1939 com o nome de Instituto de Resseguros do Brasil, é responsável pelas operações de resseguro no país. O resseguro tem como objetivo diminuir as responsabilidades das seguradoras em risco excessivo ou perigoso, cedendo a outro segurador uma parte de suas responsabilidades. É a maior resseguradora da América Latina e a 50 no ranking mundial. É objeto de cobiça e precisa ficar mais transparente, exposto à opinião crítica da imprensa e dos políticos de todas as tendências. Assim será menos ambicionado por amigos de ministro, como no governo FHC e agora, em que os acusados são, nada mais nada menos, aliados do governo Lula.





