Iraque, EUA e Grã-Bretanha
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de janeiro de 2003
Estelio Feldman 
Há meses, o mundo vem sendo ameaçado por uma nova guerra contra o Iraque. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, que continuamente bombardeiam posições iraquianas, com base em um suposto ''direito'' decorrente do final da Guerra do Golfo, não escondem a intenção de atacar o país e derrubar seu dirigente máximo. Até agora, junto com as ameaças, os dois países tem tentado conseguir respaldo da ONU para suas atitudes.
Todavia, independente do que ocorra, tanto o presidente norte-americano, George W. (tem gente que diz que o W do nome dele quer dizer War guerra) Bush, quanto o primeiro-ministro britânico, Tony Blair que funciona como uma espécie de câmera de eco do presidente norte-americano insistem em afirmar que podem atacar quando queiram, com ou sem aval da ONU, independente até de alguma ação iraquiana. O que eles querem é a guerra.
Não é difícil entender isto: guerra é um bom negócio para os industriais da morte. Movimenta bilhões. Nos últimos tempos, sem uma ''boa guerra'', os mercadores da morte estão perdendo dinheiro! Bush, sabe-se, é um ''falcão'', um cowboy do Texas, sempre pronto a sacar e atirar. Quanto a seu parceiro, Blair, apenas vai fazer o que o mestre mandar.
Ocorre que o tempo em que os britânicos e os norte-americanos mandavam no mundo, com seu poderio militar, sua arrogância ilimitada, já foi. O colonialismo, que enriqueceu as ilhas britânicas, foi sepultado nos anos 50. E nunca é demais repetir que muitos dos conflitos que ainda hoje assolam o mundo são consequência dos abusos das nações colonialistas, inclusive os Estados Unidos.
Neste século 21, neste novo milênio, há uma realidade diferente. França, Alemanha e Rússia já se posicionaram contra o instinto assassino dos belicistas. Muitas nações da África e da Ásia também o fizeram. O mundo não pode mais ficar à mercê do interesse sanguinário e comercial dos que ainda pensam como se fossem donos do planeta. Saddam Hussein é um ditador sanguinário. Mas há muitos outros no mundo. Não é tarefa dos Estados Unidos ou de seu maior aliado impor sua ''democracia'' aos outros países. E o fórum mundial, a ONU, não pode servir como pano-de-fundo para esta fúria criminosa de Bush e seus parceiros.
ESTELIO FELDMAN é jornalista em Londrina.


