Quando se contabiliza as fortunas que o sistema oficial dispende abusadamente com a própria manutenção, não se pode admitir regime de economia com eventos como o festival internacional de teatro de Londrina e com o festival de música. Ademais porque os valores são baixos. O primeiro, que acontece há quase quatro décadas, acaba de realizar sua edição de 2007; o segundo, já no 27º ano, começa no próximo dia 5. O do teatro, com o corte de verba pelo Governo do Estado, se encerrou com déficit, que não se sabe como será coberto; o de música está seriamente ameaçado. A medida abrupta pegou a cidade de surpresa.
A decisão teria sido tomada pessoalmente pelo governador Roberto Requião, sob a alegação de dificuldades financeiras, mas isto causa perplexidade, porque não ocorreu contenção de gastos em outros setores. Também não deve ter fundamento a alegação de alguns dirigentes das duas promoções que isto seria uma demonstração de descontentamento do governador com a votação que teve em Londrina - meio a meio com o outro candidato, na última eleição.

Ainda há esperança de que Requião retire sua decisão e restabeleça as verbas dos dois festivais. Porque se trata de cotas relativamente baixas, face à importância desses eventos - mas de grande valia para a causa - e porque durante tantos anos eles vêm se realizando e já firmaram tradição em Londrina. Só no último festival de teatro 100 mil pessoas assistiram aos espetáculos apresentados.

Esses acontecimentos culturais, que já ganharam notoriedade em todo o Brasil e no exterior, também dinamizam a economia, pelos inúmeros serviços gerados, e abortá-los pelo simples corte de verba oficial é um desfecho mortal. Será preciso uma comissão ir ao Palácio Iguaçu e sensibilizar o governador para a causa, porque talvez ele não tenha pleno conhecimento do significado, para a região e o Estado, desses festivais. Londrina nunca foi hostil a Roberto Requião, em todos os seus mandatos, e não se crê que alguma razão desse tipo esteja ocorrendo. Falta talvez mais comunicação direta com ele, e o momento de fazer isto é agora. Se protestos de rua aconteceram e ainda irão acontecer, por conta da supressão dessas ajudas, não se deve afastar o diálogo e a solicitação pessoal ao governador.

As lideranças da cidade também devem ser acionadas e interferir junto ao governador, que com toda a certeza não tem interesse em se indispor com a comunidade regional, participante ativa, como platéia, desses eventos. Sabe Requião que exercer governo é também administrar situação delicada como esta. No balanço de ganhos e perdas, todos irão perder se esses festivais tiverem diminuída a qualidade que os consagrou, ou eventualmente deixarem de ser realizados. Ganhará muito mais o governador dando a ajuda que se pede do que se negá-la, porque isso deixará sequelas de difícil reparo.

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