Um transporte sustentável significa menos dependência dos carros particulares


Prioridade deveria ser o pedestre, depois a bicicleta, o ônibus e por último o carro

Curitiba - Reduzir a circulação de carros particulares no meio urbano com restrições ao uso de veículos no Anel Central, incentivo à opção pela bicicleta e fortalecimento do sistema público de transporte coletivo. Essa é a receita apregoada pelo engenheiro civil Fumihiko Nakamura, professor de Planejamento de Transporte Urbano da Yokohama National University, do Japão, para melhorar o trânsito nas grandes cidades, evitando os engarrafamentos.
Para Nakamura, que esteve recentemente em Curitiba, a solução depende de mudança de prioridades. ''Uma política de transportes sustentável deveria priorizar primeiro o pedestre, depois a bicicleta, o ônibus e por último o carro'', defende o especialista. Ele alerta que o transporte sustentável precisa, necessariamente, levar em conta os aspectos ambiental, social e econômico.
O que o senhor considera transporte sustentável?
É preciso levar em conta três aspectos: ambiental, social e econômico. O aspecto ambiental leva em conta a emissão de carbono. O social significa dar acesso equitativo para todos. E o econômico é aquele que resulta em maior eficiência. Ou seja, ter um transporte sustentável significa ser menos dependente dos carros particulares, ter um sistema de transporte coletivo que suporte todas as pessoas, inclusive aquelas com deficiência física, e usar menos dinheiro para fazer uso do transporte.
Quais iniciativas atendem a esses requisitos?
Iniciativas que controlem o uso do carro. Obviamente tem que ter a contrapartida, com o fornecimento de mais serviços públicos de transportes, mais condições para as pessoas andarem de bicicleta ou a pé. É muito estranho o exemplo de Curitiba, em que as interseções de ruas têm que ser sinalizadas para que os carros parem. São áreas que deveriam dar passagem para os pedestres, ou seja, os carros têm que parar, mas é preciso dizer: pare. Então, uma política de transporte sustentável deveria priorizar primeiro o pedestre, depois a bicicleta, depois o ônibus e por último o carro.
Qual o impacto do transporte urbano no meio ambiente hoje?
Quando você dirige está emitindo CO2, há mais acidentes e usa energia de combustíveis. São problemas sérios que impactam. Por isso, quanto menos usar, melhor.
O que tem sido feito no mundo para reduzir o impacto negativo do número excessivo de carros nas ruas?
Um exemplo interessante na Europa é o incentivo ao uso da bicicleta. Em Amsterdã, na Holanda, por exemplo, 50% dos deslocamentos rotineiros são feitos com bicicleta. Para isso, foram construídas vias especiais. Bicicleta é ideal para cidades com pequenas populações e planas.
Já cidades como Londres e Singapura implantaram sistema de cobrança para acesso a regiões centrais e de congestionamentos. Em Londres, chama-se Congestion Charge (Cobrança de Congestionamento) e existe desde 2003. Para ter acesso ao Anel Central você paga 8 libras por dia. Nos dois casos, o uso do transporte coletivo aumentou. Mas também foram fornecidos mais ônibus, mais metrôs. No caso de Londres, houve uma redução de 20% do número de carros no Anel Central.

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