O transporte coletivo além de ser um grande gerador de empregos está entre os serviços públicos mais essenciais à população urbana em todos os países. Seja para o trabalho, estudo, lazer, compras, entre outros objetivos, milhões de pessoas utilizam ônibus diariamente. São esses deslocamentos que garantem, em grande parte, a produção de riquezas para os municípios.
O transporte coletivo é ainda um dos meios de locomoção mais baratos. O usuário não tem que pagar combustível, imposto automotor, manutenção e estacionamento do veículo se optasse por um. A utilização do ônibus é incentivada pela legislação através de benefícios, como subsídios a estudantes e vale-transporte por parte das empresas.
Além de todos esses fatores, o transporte público é apontado - já há algum tempo – como a solução mais viável ao problema de mobilidade urbana, causado pela falta de planejamento dos governos municipais e também pelo alto crescimento de veículos particulares em circulação.
O ônibus, mais do que uma alternativa para desafogar o trânsito das grandes cidades, é uma forma sustentável – com índices reduzidos de emissões - de substituir o automóvel.
Diante da importância que assumiu na vida cotidiana da população, é compreensível que as decisões e políticas ligadas ao transporte sejam motivos de grandes debates – a maioria, inócua. O tema principal, que mais desperta especulações e análises infundadas, é o valor ideal da tarifa.
Analisar o valor da tarifa a partir de índices inflacionários não só é um exercício equivocado como incompleto. O que maioria dos usuários e "analistas de plantão" ignora, é que a necessidade ou não de reajuste na tarifa, além da variação de todos os componentes da planilha, está diretamente ligada à relação entre o número de passageiros transportados X a quilometragem rodada – o IPKe (Índice de Passageiros Transportados Pagantes por Quilômetro rodado).
O que vem acontecendo em todo País é que o transporte público, por não ter prioridade no planejamento do trânsito, fica cada vez mais lento, demandando um número maior de carros para transportar o mesmo número de passageiros. Isso faz com que o custo aumente e tenha de ser dividido pelo mesmo número de pessoas.
Se a velocidade comercial for alta, o sistema pode operar com maior rapidez, com um número menor de ônibus e transportar a mesma quantidade de pessoas e ainda com menos lotação.
Tomemos os dados do sistema de transporte de Londrina como exemplo, em uma comparação entre os anos 2000 e 2014:

Ano           Veículos         KM/mês      Passageiros/mês     IPKe
2000             280           1.544.462       3.641.936             2,38  
2014             400           2.447.544       3.726.738             1,52%
Variação     42,86%          58,47%          2,33%              -36,13%


As empresas que operam o transporte público em Londrina cumprem todas as obrigações contratuais, além de fazer investimentos extras. Essas empresas acreditam que a discussão da melhoria do transporte passa, não só pela discussão justa e livre de uso político da tarifa, como também por políticas de desoneração tributária. Já passou na hora do transporte público ser tratado com a devida importância e ser priorizado em detrimento do transporte individual. Os usuários do transporte coletivo merecem ser privilegiados pela escolha que fazem desse meio de locomoção.

GILDALMO DE MENDONÇA é secretário-geral do Sindicato das Empresas de Transporte de Londrina (Metrolon)


■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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