A manutenção da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis é uma necessidade para manter a economia aquecida. O setor automotivo é responsável pelos primeiros sinais de recuperação da indústria nacional e, aumentar a alíquota no próximo mês, poderia reduzir ainda mais o ritmo de crescimento da economia, além de gerar demissões. No mês passado, uma das grandes indústrias chegou a anunciar que faria 1,5 mil desligamentos de trabalhadores, mas voltou atrás da decisão depois que a presidente Dilma Rousseff (PT) ameaçou elevar a alíquota do IPI.
Os incentivos são positivos porque garantem a manutenção dos empregos e contribuem para girar a economia, mas o governo já percebeu que medidas pontuais, como essa, não resolvem o problema. Em setembro do ano passado, o governo aumentou em 30 pontos percentuais o IPI de carros importados também como forma de proteger a indústria nacional. No entanto, no início deste ano a crise econômica internacional piorou, o mercado interno desacelerou e o governo mexeu novamente na alíquota de impostos para veículos nacionais. Carros com até mil cilindradas tiveram o tributo zerado; veículos de mil a 2 mil cilindradas flex tiveram o imposto reduzido de 11% para 5,5%; de mil a 2 mil gasolina, de 13% para 6,5%; e utilitários, de 4% para 1%.
Tanto as medidas são pontuais que a redução não surtiu o efeito desejado pelo governo. As vendas de automóveis tiveram queda de 0,33% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto a produção industrial recuou 3,4% nos primeiros cinco meses do ano, ante igual período de 2011. Com esse cenário montado, a criação de empregos também caiu. Agora é esperado que julho termine com recorde nas vendas. No entanto, o IPI deve ser mantido. Uma eventual elevação do imposto afetaria diretamente o desempenho do Produto Interno Bruto, já rebaixado pelo governo de 4,5% para 3%.
Sem dúvida os incentivos são positivos, mas é preciso discutir o ''cerne da questão''. Sem uma reforma tributária e com medidas paliativas, os resultados nunca serão plenamente satisfatórios. Frequentemente será preciso adotar medidas pontuais.

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