IPCA trabalha com inflação irreal em 2011
A inflação dada como oficial pelo governo deve chegar a 6,5% no acumulado de de 12 meses, que serão completados em junho deste ano. Este número está bem acima do chamado centro da meta de inflação (4,5%). Como os institutos que formulam a planilha trabalham com médias, incluindo itens que não têm variação acentuada, porque são de baixo consumo, é natural inferir que a inflação das famílias fica sempre acima dos índices oficiais.
Mas as projeções do governo estão muito otimistas quando fixa como meta para os 12 meses de 2011 um índice ainda menor: 6,3% até dezembro. Teria que desacelerar fortemente a demanda e os preços no segundo semestre para compensar o índice maior (6,5%) até a metade do ano. Se pudessem escolher entre a inflação real e a inflação do governo, os brasileiros certamente iam preferir a inflação do governo, que é do interesse de todos. Afinal, são 15 anos de estabilidade, suficientes para dissipar os últimos vestígios da cultura inflacionária.
Mas, na prática, a teoria dos cálculos é bem outra e a manipulação dos índices falseia todos os demais indicadores da economia que, queiramos ou não, estão nitidamente indexados ao IPCA, que é o referencial, na correção salarial, no reajuste do aluguel e tarifas em geral. Ainda que a intenção dos técnicos seja a melhor possível - porque passa a ideia que a inflação está sob controle -, sabe-se que não é bem isso que vai acontecer em 2011.
Mas há um fator importante, em favor do governo, que precisa ser considerado. Sorte do governo que, embora exista uma demanda reprimida de bens de consumo durável (eletrodomésticos, por exemplo), os acordos coletivos não vão conspirar contra a estabilidade. É que não há salários defasados. No ano passado muitas categorias profissionais corrigiram salários embutindo ganhos reais, isto é acima do indicador inflação. Uma preocupação a menos.





