Londrina, apesar de toda a sua reconhecida criatividade e pluralidade cultural, não conseguiu viabilizar a vinda de recursos federais para concluir a obra do seu Teatro Municipal. A emenda impositiva de R$ 800 mil da bancada do Paraná na Câmara dos Deputados para o tão sonhado equipamento cultural teve mais da metade de seu valor congelada pelo governo federal, em meio aos efeitos da derrubada do decreto que elevava as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Não há previsão de quando o montante será liberado, apesar de se tratar de uma emenda impositiva, ou seja, que precisa ser paga pelo governo federal.

As obras do Teatro Municipal de Londrina pararam em 2014 e a construção inacabada se transformou em ponto de encontro de pessoas em situação de rua e usuários de drogas.

Em entrevista à FOLHA, o líder da bancada paranaense, deputado federal Toninho Wandscheer (PP), confirmou o contingenciamento de pouco mais de 50% das emendas e reconheceu que a situação é “difícil” e que “sempre alguém perde com esses contingenciamentos”.

Em dezembro de 2023, o deputado federal Toninho Wandscheer veio a público pedir desculpas aos londrinenses por ter esquecido de incluir o Teatro Municipal nas emendas de bancada de 2024.

Por conta disso, os deputados da região esperaram mais um ano para voltar a incluir o teatro entre as emendas. Chegamos ao meio do ano e nada ainda aconteceu.

Também em entrevista à FOLHA, o prefeito Tiago Amaral lamentou o contingenciamento e disse que está conversando com o governador Ratinho Junior para tentar viabilizar os recursos.

O projeto de construção do Teatro Municipal de Londrina foi selecionado em 2007 por meio de um concurso nacional. A proposta previa uma área de 22 mil metros quadrados, cerca de 2.400 lugares e custo estimado, na época, em R$ 80 milhões. O convênio para a execução da obra foi firmado com o Ministério da Cultura em maio de 2010. A construção teve início apenas em 2013, mas foi paralisada no ano seguinte por falta de recursos.

A ausência de um Teatro Municipal em uma cidade marcada por grandes e importantes festivais é um impacto negativo para a cultura, para as artes e para economia, lembrando quanto a criatividade e o capital intelectual geram valor econômico para os municípios.

Basta observar que as cidades que possuem uma cadeia produtiva da cultura bem organizada conseguem gerar renda, estimular diversos setores da economia e criar empregos.

Obrigado por ler a FOLHA!

mockup