Entre as várias opções visando salvar a Sercomtel Celular, desponta a idéia de investir em tecnologia, mesmo que isto signifique aumentar seu déficit hoje existente, de R$ 14,4 milhões. Ao invés de, eventualmente, deixar a empresa enveredar para uma inviabilidade operacional e a conseqüente desvalorização, está sendo levantada a possibilidade de aplicar de R$ 9 milhões a R$ 12 milhões na implantação do sistema 3G - a Terceira Geração em técnica de telefonia celular - como meta de competir em igualdade com os concorrentes.
  Esse avanço tecnológico consiste no acesso à internet de alta velocidade (a banda larga), pela telefonia celular, o que é feito atualmente por via da telefonia fixa. A Sercomtel Fixa - credora daqueles R$ 14,4 milhões da co-irmã - arcaria com o investimento, por aporte de capital, o que dependeria de análise do Conselho de Administração da Sercomtel-mãe, podendo ocorrer de a própria Sercomtel Celular bancar o empreendimento. A 3G é o futuro da tecnologia celular, e se for perdida a oportunidade da expansão - agora que a Anatel irá abrir novas concessões nesse campo - a empresa poderá desvalorizar-se a ponto de perder interessados numa eventual venda (como também se cogita).
  A implantação do moderno sistema poderia, ao contrário da idéia de venda da empresa, recuperar seu fôlego e recolocá-la na linha de reconquista do mercado perdido. De um lado está a ousadia de quase duplicar a dívida, mas com a possibilidade de reeguer a empresa, e de outro o risco de um definhamento, se não houver investimento novo e nada se fizer. O aceno de capitalizar a Sercomtel Celular e ingressar na 3G também abriria a perspectiva de uma revalorização e um despertamento de interessados na compra da empresa, caso for a opção de desfazer-se dela.
  Este é um momento de decisão, com o ingrediente novo representado pela idéia de se estar acreditando na possibilidade de investir na empresa. A cartada será corajosa, caso venha a ocorrer, da mesma forma que foi no passado a instalação da Sercomtel e posteriormente do segmento da telefonia celular, quando não havia concorrentes e a Telepar desejava assumir o controle desse novo serviço. Na época, o ingresso de Londrina na telefonia celular, antes de grandes metrópoles brasileiras, foi uma dura batalha vencida.
  A atual situação é também desafiadora, ante o avanço da tecnologia das comunicações no mundo e a chegada de concorrentes poderosos. A idéia de ousar mais uma vez e reinvestir pesadamente se identifica com o compasso londrinense de enfrentar grandes e históricos desafios. A cidade já conheceu ousadias dessa dimensão e saiu-se triunfante.

mockup