O ideal seria que as pessoas ganhassem mais dinheiro e assim pudessem morar melhor. Palavras do engenheiro Paulo Lopes, para definir a fórmula de ampliar a área das casas populares – tema de reportagem sexta-feira neste jornal. Porque, no caso de Londrina, a maioria das habitações tem em média 30 metros quadrados, e nelas nunca habitam menos de 4 pessoas, havendo casos de famílias de até 10, e todas têm de se acomodar nesse espaço. Agora a Companhia de Habitação do Paraná decidiu aumentar o tamanho delas para até 40 metros.
  Mesmo assim é uma minúscula construção, para abrigar quartos, sala, cozinha e banheiro. Isto é ainda melhor que os cortiços, em que vivem milhões de brasileiros. Mas essa condição não é viver mas sobreviver, parafraseando-se o dizer da célebre carta do índio Seatle ao presidente da República, nos Estados Unidos, alertando sobre uma questão de seu país – o risco das condições humanas caso persistisse a devastação dos campos. É triste a situação de aplaudir a casa popular tendo como comparação a favela, mas esta é a realidade do Brasil. A reportagem mostra que as famílias egressas de condições miseráveis estão felizes na habitação própria, e de alvenaria, que se é de dimensão limitada tem água corrente e luz elétrica e protege da chuva e do frio.
  Esse conformismo, porém, não deve permanecer como política, e o olhar dos governantes e dos especialistas em moradia popular deve voltar-se para avanços sociais mais elevados. A prefeita do município paranaense de Terra Boa, Vera Lúcia Zanatta – citada nesse trabalho jornalístico da FOLHA – diz que o povo em sua cidade chama essas habitações de ‘‘casas dos pés de fora’’, numa alusão à pequenez dos quartos.
  Para ganhar mais dinheiro – fórmula apontada pelo engenheiro – um chefe de família precisa ter emprego, como primeira condição; outra, que o ganho seja suficiente para investir na aquisição de uma casa ou ampliar a existente, mas as companhias de habitação e os arquitetos, engenheiros e urbanistas precisam ir dando sua contribuição na busca de baratear a construção, propiciando em contrapartida que as moradias sejam maiores e com melhor aproveitamento do solo.
  A Cohab de Londrina, pela palavra do diretor-técnico Rosalmir Moreira, salienta o projeto de casas-embrião, que possibilita ampliações. Assim, também o terreno e a dimensão do imóvel no local já são pensados para comportar aumentos. Por ora, vive-se no Brasil ainda a mentalidade da sobrevivência – em outras palavras não sucumbir – e isto ocorre não só com relação ao lugar de morar mas com saúde, alimentação, saneamento e segurança. Um caminho longo a percorrer para reverter essa situação, mas que precisa começar a ser trilhado.

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